O nosso idioma // Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
29 anos de Ciberdúvidas: balanços e desafios
A caminho de três décadas dedicadas à qualidade da língua
O Ciberdúvidas faz 29 anos e representa um caso de assinalável sobrevivência num mundo digital onde tudo parece efémero. Nascido em 1997 da mão de dois jornalistas, João Carreira Bom e José Mário Costa, que, preocupados com a qualidade da língua escrita, sobretudo em meios jornalístico, criaram um espaço que pudesse responder às dúvidas de quem escreve e fala português, o Ciberdúvidas foi crescendo e alargando a sua influência a todos os pontos onde se fala a língua portuguesa. E assim se mantém até hoje.
Atualmente, os consulentes e leitores da plataforma vêm não só de Portugal, mas também do Brasil, de Angola, de Moçambique e de muitos outros locais onde se fala, se ensina e se aprende português.
No percurso feito ao longo destes respeitosos 29 anos, as várias gerações de consultores que passaram pelo projeto responderam a milhares de dúvidas colocadas por consulentes de diferentes proveniências, idades e géneros. Uma parte reduzida destas respostas foi, ao longo deste tempo, tornada pública, pelo que hoje o Ciberdúvidas é detentor de um assinalável repositório de respostas que representam um arquivo vivo da evolução da norma e dos usos, ao mesmo tempo que evidencia que há dúvidas que persistem quase perenemente (como acontece com a eterna hesitação entre à e há) e que muitas respostas se mantêm atuais e pertinentes.
No presente, o Ciberdúvidas coexiste com a ação da inteligência artificial e sente a ameaça da sua capacidade de resposta rápida e fácil. Todavia, continuará a alertar para a falta de rigor que pode caracterizar as respostas dos chatbots e para as análises enviesadas ou imprecisas que estes podem propor.
Não obstante, a coexistência entre o Ciberdúvidas e a IA será com certeza assunto para um futuro próximo, na medida em que se vislumbra a possibilidade de otimizar o vasto acervo da plataforma com ferramentas de inteligência artificial. Outros desafios que se colocam ao projeto Ciberdúvidas passam também pela ação contra a desinformação linguística e pela defesa da lusofonia, que se juntam à necessidade de alargamento do seu público de leitores e consulentes. Esta realidade desafia o projeto encontrar novas formas de comunicação da língua, das suas regras e da norma assentes numa interação baseada na voz e na imagem. Para além disso, alerta também para a conquista de novos públicos, sobretudo entre os mais jovens, como forma de assegurar que este projeto continuará a ser sentido como útil e imprescindível por pelo menos mais 29 anos.
