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João Carreira Bom
João Carreira Bom
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João Carreira Bom (1945 – 2002) foi um jornalista e cronista português que trabalhou para o Diário de Notícias e participou nas redações de O Século, Expresso e da revista Sábado. Destacou-se também por ser contista, atividade que o levou a publicar, em 1965, o livro de contos Subgente. Fundador, com José Mário Costa, do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

 
Textos publicados pelo autor

Este ó (com acento agudo) é interjeição indicativa de chamamento ou invocação e vem do latim o (com significado idêntico). Entra facultativamente no vocativo (palavra ou expressão que serve para chamar ou invocar). Tanto podemos dizer: «Ó Zé, dá-me o livro» como: «Zé, dá-me o livro.» O significado é semelhante. A diferença reside na ênfase que se quer dar à pessoa chamada ou invocada. Ou seja: ó Zé = maior ênfase; Zé = menor ênfase.

Convém não confundir a interjeição ó do vocativo com a interjeição oh!, designativa de admiração. O ó do vocativo não pede ponto de exclamação (!) antes do nome chamado ou invocado. Exemplo desaconselhável: «Ó! Maria, dá-me o livro.» Aceitável: «Ó Maria, dá-me o livro.» Aceitável também: «Ó Maria! Dá-me o livro.» Ou: «Ó Maria, dá-me o livro!»
Em «Ó Maria!», coloca-se a ênfase exclamativa em Maria. Em «Ó Maria, dá-me o livro!», enfatiza-se o livro. E, se quisermos enfatizar a própria interjeição, transmitindo-lhe um tom admirativo, empregamos oh! em vez de ó. Assim: «Oh! Maria, dá-me o livro.»

«Ó Maria!» e «Oh! Maria» não significam o mesmo. A diferença está na forma como se diz a frase.

No primeiro caso, limitamo-nos a chamar ou invocar. No segundo, manifestamos sentimento por algo que Maria fez ou não fez. Deste modo, segundo o contexto em que a frase for proferida, com «Oh! Maria, dá-me o livro», poderemos querer dizer algo como: «Oh! Maria, não me trouxeste o livro que te tinha pedido.»

Quanto à necessidade da vírgula no vocativo, vejamos dois exemplos: «João anda» e «João, anda». O sentido de «João anda» é que João caminha, move-se. E, em «João, anda», pedimos ao João que se mova, caminhe. Em «João anda», pois, descreve-se o movimento de João; em «João, anda», formula-se o pedido de que ele se movimente.

 

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Os termos balcanização e mexicanização – assim como os verbos balcanizar e mexicanizar –, apesar de bem formados e utilizados na linguagem política, não estão registados nos dicionários portugueses e brasileiros que consultámos.
   O substantivo balcanização remonta ao princípio do século XX, após a I Guerra Balcânica (1912): a Turquia foi derrotada por uma aliança entre a Sérvia, a Bulgária, a Grécia e depois o Montenegro (apoiados pela Rússia), mas os vencedores não se conseguiram entender quanto à partilha dos territórios europeus conquistados aos Turcos. Por isso, passou a designar-se como balcanização a confusão de nacionalidades ou etnias, culturas e religiões, consubstanciada na ocorrência frequente de litígios fronteiriços. Quando se diz que o partido X está balcanizado, isso significa falta de autoridade da direcção sobre diversas facções que se combatem dentro dessa organização partidária.
   O substantivo mexicanização – no sentido em que o empregam os políticos portugueses – tem origem na experiência do partido que governou o México até ao final do século XX: primeiro sob o nome de Partido Nacional Revolucionário (1929), depois Partido Revolucionário do México (1938) e, após 1946, Partido Revolucionário Institucional.
   Na linguagem política, este termo indica o modo de um partido se perpetuar no Poder através de fraudes eleitorais, influência de caciques e concessão de estímulos mais ou menos legais aos eleitores, o que se traduz na obtenção dos votos da maioria em sucessivas eleições. Há quem classifique esta fórmula como "ditadura reformista" ou "ditadura eleitoral".
   No Brasil, segundo Amílcar Caffé, a palavra ganhou novo significado depois da conclusão do acordo NAFTA de comércio livre no espaço da América do Norte: os economistas brasileiros passaram a chamar mexicanização à crónica dependência económica do México perante Washington.

O verbo inglês "overbook" significa vender ou reservar mais bilhetes que os lugares disponíveis (num avião) ou vender ou reservar mais quartos que os disponíveis (num hotel).

O substantivo "overbooking" – que não encontrei no Oxford Advanced Learner's (5.ª ed.) – talvez possa traduzir-se pelo termo que sugere, a exemplo de sobrecarga (=carga demasiada). Mas a grafia, de acordo com as regras vigentes, deveria ser sobrerreserva: porque sobre- (do latim "super") é elemento de formação de palavras que só se une por hífen ao elemento seguinte quando este começa por h (cf. dicionário Porto Editora na Internet – Ligações do Ciberdúvidas).

Segundo o uso e a regra, o plural de bolo-rei é bolos-reis. Vão geralmente para o plural ambos os elementos de uma palavra composta de dois substantivos.

N. E. (3/01/2017) – O plural de bolo-rei atestado em fontes autorizadas é efetivamente bolos-reis – cf. Rebelo Gonçalves, Vocabulário da Língua Portuguesa (1966); e o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (2001), da Academia das Ciências de Lisboa. Observe-se, porém, que Celso Cunha e Lindley Cintra, na sua Nova Gramática do Português Contemporâneo (1984, pág. 188-189), se, por um lado, dizem que «[...] ambos os elementos tomam a forma de plural quando o composto é constituído de dois substantivos [...]» (exemplo: tenente-coroneltenentes-coronéis), por outro, sublinham que «[...] só o primeiro [elemento] toma a forma de plural quando o segundo termo da composição é um substantivo que funciona como determinante específico [...]» (exemplo: navio-escolanavios-escola). Aceitando que Cunha e Cintra não caem em contradição, mas antes apontam duas perspetivas para pluralizar as palavras compostas por dois substantivos, conclui-se que bolo-rei terá dois plurais: bolos-reis (trata-se de realidades que se enquadram simultaneamente na classe dos bolos e na classe dos reis) e bolos-r...