Falar em público, rótulos mal escritos, siglas católicas e outras questões – com o Brexit de regresso - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Falar em público, rótulos mal escritos, siglas católicas e outras questões – com o Brexit de regresso
Falar em público, rótulos mal escritos, siglas católicas
e outras questões – com o Brexit de regresso
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 353

1. Falar toda a gente sabe, mas, em público, quem já não encontrou dificuldades?  Em O nosso idioma, a linguista e consultora permanente do Ciberdúvidas Carla Marques identifica cinco erros a evitar para aprender uma competência que está longe de ser inata (artigo originalmente publicado na Leya Educação de janeiro de 2019). Na mesma rubrica, sobre o abuso de anglicismos, transcreve-se com a devida vénia um outro texto, da autoria de Lúcia Vaz Pedro, que o publicou na sua coluna semanal, "Portugal atual", no Jornal de Notícias de 13 de janeiro de 2018.

2. Quem melhora com o tempo é como o vinho do Porto – diz-se. Mas resistirá uma garrafa desse néctar a um rótulo mal redigido? No Pelourinho, comenta-se um exemplo da falta de cuidado nos textos que se leem em rótulos e embalagens.

3. No consultório, pergunta-se o que significa a sigla SJ, que aparece associada ao nome de vários sacerdotes católicos. Da atualização fazem igualmente parte questões a respeito de concordância verbal, orações relativas, determinação nominal, neologia e locuções adverbiais.

4. Quanto ao que é notícia com interesse para o conhecimento e promoção da língua portuguesa:

– Refira-se a realização do VI Fórum de Linguística Aplicada: Ensino e Aprendizagem de Línguas, que decorre entre 16 e 18 de janeiro de 2019, na Faculdade de Ciências Sociais e HumanasUniversidade Nova de Lisboa (UNL). O evento tem organização do Centro de Linguística da UNL de Lisboa e o Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará, através do Grupo Gramática & Texto e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada, Ensino e aprendizagem de Línguas. Saliente-se a participação da linguista brasileira Maria Helena de Moura Neves, autora de duas conhecidas obras descritivas: Gramática de Usos do Português (2000) e Guia de Uso do Português – confrontando Regras e Usos (2003). E assinale-se também a presença de Ana Sousa Martins, coordenadora da Ciberescola da Língua Portuguesa, que fará uma comunicação (ler programa e resumos aqui).

– Entre 17 e 19 de janeiro, a editora galega Através apresenta em Lisboa uma nova coleção de arte e pensamento, a coleção Alicerces. São lançados quatro livros: Novas masculinidades. O feminismo a (de)construir o homem de Jorge G. Marín; Sobre a eutanásia. Quando decidir que uma morte é vital, de Brais Arribas; Nem tudo é arte? Mod@s de olhar, de Natalia Poncela; e Confio-te o meu Corpo. A Dramaturgia Pós-Dramática, de Afonso Becerra.  É uma iniciativa de justificado registo, porque esta editora publica textos sobre temas atuais, escritos por investigadores e ensaístas da Galiza, de acordo com as normas do português contemporâneo.

5. Ainda quanto a atualidades, o tópico do dia vem do Reino Unido (RU), onde em 15/01/2019 o Parlamento rejeitou o acordo proposto pela primeira-ministra Theresa May para a saída deste país da União Europeia (UE). É o chamado Brexit, que se arrasta desde 2016 e que parece não ter, para já, solução à vista. Sobre a formação do nome Brexit e o vocabulário ativado ou criado pelo debate à sua volta, leiam-se os seguintes artigos do arquivo do Ciberdúvidas: "Brexit vs. Bremain", "A Torre de Babel da União Europeia, sem O reino Unido", "O inglês, língua oficial da União Europeia, mesmo depois do Brexit?", "As línguas na Europa: o que mudará com o Brexit?", "Brexit e as patentes: uma oportunidade para Portugal".

N. E. (10/04/2019) – Em inglês, a palavra Brexit tem duas pronúncias: "bréksit", maioritária no Reino Unido, e "brégzit", mais frequente, por exemplo, nos Estados Unidos (ouvir o registo do canal Emma Saying, no Youtube, e os do sítio eletrónico da Oxford University Press). Em Portugal, coexistem as duas pronúncias: embora o único dicionário que, até à data, consigna a palavra – o da Porto Editora, disponível na Infopédia – a transcreva com [gz], ficando, portanto, "brégzit", há quem prefira a solução britânica e articule "bréksit" (cf. Helder Guégués, "Brexit: como se pronuncia? – Boa desculpa", Linguagista, 27/07/2017). Sobre as duas pronúncia concorrentes, ler, em inglês, David Shariatmadari, "The real Brexit debate: do you pronounce it Breggsit or Breckit?", The Guardian, 27/07/2017 (tradução: "O verdadeiro debate do Brexit: pronuncia-se Breggsit ou Brecksit?"; este artigo é mencionado por Helder Guégués, op. cit).

6. O programa Língua de Todos, na RDP África, sexta-feira, 18 de janeiro às 13h15 (com repetição no sábado, dia 19 de janeiro), depois do noticiário das 09h00*, dá destaque a uma conversa com o novo diretor-executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Icanha Itunga, sobre projetos e perspectivas. No programa Páginas de Português, emitido na Antena 2, no dia 20 de janeiro, às 12h30** (com repetição no sábado seguinte, dia 26 de janeiro, pelas 15h30**), entrevista-se o linguista Afonso Miguel, que acabou de defender a tese de doutoramento intitulada Integração morfológica e fonológica de empréstimos lexicais bantos no Português Oral de Luanda, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

*  Hora oficial de Portugal continental, ficando o programa disponível posteriormente, aqui.

** Hora oficial de Portugal continental, ficando o programa disponível posteriormente, aqui.