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Ana Martins
Ana Martins
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Mestra e doutora em Linguística Portuguesa, desenvolveu projeto de pós-doutoramento em aquisição de L2 dedicado ao estudo de processos de retextualização para fins de produção de materiais de ensino em PL2 – tais como  A Textualização da Viagem: Relato vs. Enunciação, Uma Abordagem Enunciativa (2010), Gramática Aplicada - Língua Portuguesa – 3.º Ciclo do Ensino Básico (2011) e de versões adaptadas de clássicos da literatura portuguesa para aprendentes de Português-Língua Estrangeira.Também é autora de adaptações de obras literárias portuguesas para estrangeiros: Amor de Perdição, PeregrinaçãoA Cidade e as SerrasContos com Nível é o seu último livro. Consultora do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa e responsável da Ciberescola da Língua Portuguesa

 

 

 

 
Textos publicados pela autora

1. «O Cortiço, de Aluísio Azevedo, é um romance naturalista.»

O constituinte sublinhado é um modificador apositivo do nome, pois:

       a)  tem um antecedente semanticamente definido;

       b)  não é identificador do SN¹ «O Cortiço», como prova o teste:

       * De Aluísio Azevedo, O Cortiço é X, mas o de António Silva, não.

2. «O cachorro soltou-se da coleira.»

O constituinte sublinhado é complemento oblíquo.

       Os testes sintáticos:

       *O que é que o cachorro fez da coleira?

        Soltou-se

       *O que é que aconteceu ao cachorro da coleira?

       Soltou-se

       Vs.

        O que é que o cachorro fez?

        Soltou-se da coleira.

        O que é que aconteceu ao cachorro?

        Soltou-se da coleira.

 

N.E. – O asterisco (∗) é o símbolo de agramaticalidade da frase.

¹ SN = Sintagma Nom...

Sujeito: Ele

Predicadoera de opinião de que céu cinzento e gotas de chuva nas janelas tiram o ânimo e causam melancolia

Verbo copulativo: era

Predicativo do sujeito (realizado por um sintagma preposicional): de opinião de que céu cinzento e gotas de chuva nas janelas tiram o ânimo e causam melancolia

(Teste sintático: pode ser coordenado com outro constituinte cuja função também é de predicativo. Ex. «Ele é inteligente e da opinião de que…»)

Complemento do nome realizado por um sintagma preposicional preenchido por duas completivas finitas coordenadas: de que céu cinzento e gotas de chuva nas janelas tiram o ânimo e causam melancolia.

Sujeito (composto) da completiva 1: céu cinzento e gotas de chuva nas janelas

Predicado da completiva 1: tiram o ânimo

Verbo do predicado da completiva 1: tiram

Complemento direto do predicado da completiva 1: o ânimo

Sujeito (composto) da completiva 2: céu cinzento e gotas de chuva nas janelas

Predicado da completiva 2: causam melancolia

Verbo do predicado da completiva 2: causam

Complemento direto do predicado da completiva 2: melancolia. 

«... de que os Portugueses desprezavam as artes» é uma oração substantiva completiva. Cumpre a função sintática de complemento do adjetivo (consciente), realizado por um grupo preposicional oracional.

Exemplo de pois como conjunção adversativa:
«- Estás tranquilo? Pois eu estou na maior ansiedade.»
 
O exemplo acima consta do Dicionário Houaiss, Ed.Temas e Debates.
 
Podemos acrescentar um exemplo retirado do CETEMPúblico
«Há gente neste partido que não trabalhou, pois eu trabalhei»
 
«Não é muito conhecido, tem um estilo de música independente e meio alternativo. Pois eu gosto muito!»
 
«Pois», com sentido adversativo, inicia uma unidade frásica autónoma. O estado de coisas que essa unidade representa está em contraste com o estado de coisas descrito na sequência frásica anterior, não raro através de uma forma de discurso reportado (discurso atribuído a outrem).
Trata-se de um uso do registo informal.
Imagem de destaque do artigo
A propósito de uma crónica transcrita na rubrica Pelourinho do dia 11 de janeiro de 2009

Uma controvérsia suscitada pelo consulente Paulo Medeiros, a propósito do texto «Não faz sentido», com a devida réplica da autora, Ana Martins.