DÚVIDAS

Palavras e expressões do séc. XVIII: mochila, eguariço, mafra
Numa comédia inédita do séc. XX, mas cuja acção se passa no séc. XVIII, vi várias palavras e uma expressão que me deixaram algumas dúvidas. Reproduzo-as tal qual aparecem no texto dactilografado do autor. Primeiro, gostava de saber se as palavras que seguem abaixo estão escritas correctamente tendo em conta que a peça foi escrita no séc. XX: «ageitar os caracoes» «dessimulado» «ao invez» «pezar» «permição» «possue» «interdicto» «outrém» «dezejo» (1.ª p. v. desejar) algun Gostava ainda de saber se as expressões abaixo correspondem à forma de falar do séc. XVIII e se estão escritas correctamente: «tu eres» (verbo ser) «inda» «ter conrespondido» «sem sua culpa dela» «sei terdes intervindo» «senrezão» Gostava ainda de saber o que significa a pergunta abaixo, se é uma expressão característica do séc. XVIII e se está escrita correctamente: «Tens que mochilas ou eguariços sejam mafra baixa de mais para ti?...» Muito obrigada.
Vírgula e deslocação de constituinte frásico
Aqui há dias escrevi a seguinte frase: «Se falhares oito vezes, da próxima vez que jogares aparecerá um bloco verde com um ponto de exclamação.» Fui corrigida por um revisor, que me "obrigou" a alterar o que tinha escrito: «Se falhares oito vezes, da próxima vez que jogares, aparecerá um bloco verde com um ponto de exclamação.» Sei que a frase está correcta, mas aquela segunda vírgula é ou não é obrigatória? E, seja qual for a resposta, porquê? Obrigada.
Escrever bem e a gramática
Adoro línguas, na medida em que elas nos permitem levar o uso da linguagem até um campo bem mais esclarecedor e emotivo. No entanto, odeio gramática. Na minha opinião, escrever bem é um dom, e é desnecessário o classicismo exagerado das palavras com o intuito de avaliar a capacidade descritiva de alguém, uma vez que os seus significados nada têm que ver com a classe a que pertencem, isto é, não importa se, por exemplo, amar é um verbo, importa, sim, se quem o escreve sabe o seu significado e como aplicá-lo. Uma vez dada a conjectura dessa premissa, pouco importa o restante. Portanto, a minha questão é: qual o vosso ponto de vista dada esta afirmação, e em que visão se centrava o Fernando Pessoa, bem como outros grandes escritores (dado que muitos deles nunca frequentaram escolas e grandes colégios, e, no entanto, isso não funcionou como um impedimento ao seu desenvolvimento e afirmação intelectual)?
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