«Absolutamente excepcional» - Pelourinho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Início Português na 1.ª pessoa Pelourinho Artigo
«Absolutamente excepcional»

«Absolutamente excepcional» é tão despropositado (...) como «completamente normal», «totalmente pleno», «absolutamente total» ou «vulgarmente completo». In jornal “i” de 30/07/2012

 

Não consultei o texto do comunicado do Conselho de Ministros [português]. Mas a acreditar no “Público” e no “Diário de Notícias”: o Governo vai permitir que os municípios gravemente afectados pelos grandes incêndios possam ultrapassar o proibido e perigoso limite de endividamento e contrair empréstimos para fazer face a obras urgentes.

Os jornais citam o secretário de Estado Marques Guedes, segundo o qual a decisão tem um «carácter absolutamente excepcional». Dizem os dicionários que excepcional (adjectivo) é aquilo que constitui ou encerra uma excepção, portanto não é comum, vulgar, normal ou usual. E que o advérbio absolutamente indica algo sem restrições ou reservas, de modo completo, total, pleno ou absoluto. Portanto, «absolutamente excepcional» é tão despropositado (a expressão, não a medida, entenda-se) como «completamente normal», «totalmente pleno», «absolutamente total», «vulgarmente completo» ou outras combinações possíveis.

Marques Guedes anunciou – sempre de acordo com os dois jornais já referidos – que a tal medida excepcionalmente absoluta era o primeiro resultado do trabalho desenvolvido por uma equipa interministerial comandada pelo ministro Relvas. Com toda a certeza a equipa contará com a colaboração de muitos licenciados. Esperemos que entre eles haja pelo menos um professor de Português, com licenciatura conferida por uma universidade séria, e que saiba juntar devidamente as palavras.

Fonte

In jornal i de 30 de julho de 2012, sob o título Excepcional . Respeitou-se a antiga ortografia do original.

Sobre o autor

Jornalista português nascido no Brasil, é licenciado em Filologia Românica (Faculdade de Letras de Lisboa) onde lecionou Introdução aos Estudos Linguísticos, Sintaxe e Semântica do Português. Foi diretor de Informação das agências noticiosas Anop e NP, chefiou os serviços de comunicação das fundações Gulbenkian e Luso-Americana para o Desenvolvimento. Foi chefe de Informação (PIO) das missões de paz das Nações Unidas em Angola, Timor-Leste, Kosovo e Burundi. Foi diretor-geral da Leya em Angola.