Provérbios e dúvidas outonais, sentidos do campo lexical da política e dificuldades de ortoépia, de tradução e de análise sintática - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Início Aberturas Abertura
Provérbios e dúvidas outonais, sentidos do campo lexical da política e dificuldades de ortoépia, de tradução e de análise sintática
Provérbios e dúvidas outonais, sentidos do campo lexical da política
e dificuldades de ortoépia, de tradução e de análise sintática
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 168

1. O equinócio do outono ocorre hoje, dia 23 de setembro, no hemisfério norte. Anuncia-se a chegada de um tempo instável, realidade que motiva o provérbio «Outono, ou seca as fontes ou salta as pontes». A vinda do frio associa-se a uma natureza cada vez mais despida e a dias gradualmente mais curtos porque «No outono o sol tem sono». Recordemos que a palavra outono, bem como os outros nomes de estações do ano, passou a escrever-se com letra minúscula com as novas regras do Acordo Ortográfico de 90, o mesmo tendo acontecido aos nomes dos meses. Esta nova grafia levanta, não raro, a questão da inclusão dos nomes das estações do ano na subclasse dos nomes comuns, interpretação que não é correta, como aqui nos explicou o professor Carlos Rocha, coordenador executivo do Ciberdúvidas.

            Primeira imagem: Outono, de José Malhoa, 1918 

2. No rescaldo das eleições legislativas regionais da ilha da Madeira, que tiveram lugar em 22 de setembro, e em plena campanha eleitoral para as eleições para a Assembleia da República, as palavras e os conceitos associados a esta realidade estão na primeira linha dos discursos políticos e jornalísticos. Por essa razão, é sempre importante recordar algumas questões relacionadas com o campo lexical da esfera política, tratadas anteriormente no Ciberdúvidas. Antes de mais, recordemos a própria palavra política, que tem como sentido nuclear o valor de "ciência ou arte de governar", mas que pode ter usos figurados bem menos elevados, como se recorda aqui. Não obstante, espera-se que os políticos rejam a sua atividade pelos princípios éticos que os sentidos da palavra bem sublinham (recorde-os nesta resposta). Neste contexto, é também pertinente aferir se devemos dizer eleição ou preferir o termo eleições (ver explicação) ou se faz sentido usar a expressão «eleições eleitorais»: 

3.  Na Montra de LivrosJosé Mário Costa, cofundador do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, apresenta a mais recente obra de Lúcia Vaz PedroCamões Conseguiu Ver Muito Para Quem Só Tinha Um Olho, com a chancela da Manuscrito. Um livro no qual a autora parte da apresentação de erros reais de alunos do ensino básico e secundário para a sua correção, o que lhe permite passar em revista conteúdos de diferentes domínios da disciplina de Português. Uma proposta divertida para acompanhar o estudo do português. 

4. Na nova atualização do consultório debruçamo-nos sobre a ortoépia, ao esclarecer qual a pronúncia correta da expressão «Benza-o Deus» e do apelido Abecassis. A utilização da palavra racional como adjetivo em expressões que constituem uma tradução literal do inglês motivam uma reflexão sobre o decalque linguístico apressado. As funções sintáticas dos constituintes das frases voltam a motivar uma reflexão, desta feita centrada na função desempenhada por todos na frase «Ele vendeu-as todas». Por fim, no campo dos recursos expressivos, analisa-se a diferença entre zeugma e elipse. 

5. Sandra Tavares Duarte lançou recentemente a obra Comunicar com sucesso, da editora Oficina do Livro, na qual condensa um conjunto de sugestões para que os leitores possam aperfeiçoar as suas competências comunicativas no âmbito da oralidade e da escrita, para além de incluir ainda uma lista dos erros mais comuns, dicas para comunicar com assertividade e com vista aos objetivos e ainda técnicas e ferramentas para aperfeiçoar as competências linguísticas. 

6. Entre os diversos temas relevantes para a língua portuguesa, divulgados em diferentes espaços, destacamos a explicação da origem da expressão «queimar pestanas», apresentada pela lexicógrafa Ana Salgado, num apontamento publicado na plataforma de divulgação cultural Gerador. Interessante também é conhecer a história dos nomes dos alimentos que consumimos. Este é o mote para um conjunto de artigos da responsabilidade de José Carlos Fernandes, engenheiro do ambiente, ilustrador e autor de banda desenhada, que têm vindo a ser publicados no jornal em linha Observador. Entre eles, assinalamos os mais recentes que abordam «as maçãs-do-diabo», os «nabos suecos e erva-dos-pardais» e «pêssegos-dos-lobos e maçãs insanas».

     A propósito da grafia dos nomes de espécies botânicas (e também zoológicas), recordamos que, segundo o Acordo Ortográfico de 90,  se deve usar o hífen em todas as palavras compostas, quer estas tenham preposição ou não, conforme se explicou aqui.