O uso dos nomes próprios das figuras públicas e o aportuguesamento do anglicismo millennials - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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O uso dos nomes próprios das figuras públicas e o aportuguesamento do anglicismo millennials
O uso dos nomes próprios das figuras públicas
e o aportuguesamento do anglicismo millennials
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 398

1. Nos países de língua portuguesa, como se faz referência a figuras públicas? Muitas vezes apenas pelo apelido (um ou dois): em Portugal,  Rio é Rui Rio, e Ferro Rodrigues é Eduardo Ferro Rodrigues; no Brasil, Lula é Luiz Inácio Lula da Silva. Mas não é infrequente ocorrer somente o primeiro nome: o Jerónimo de certo título jornalístico deve muito provavelmente aludir a Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português; em Moçambique, por Samora entendia-se o presidente Samora Moisés Machel (1933-1986). É este o tema da pergunta chegada da Polónia, dum tradutor intrigado com o uso do nome próprio do PR português, em vez do seu nome completo. Outras questões que, no consultório, integram a presente atualização:

– como se denomina a combinação de duas letras num único sinal gráfico (ex. æ, œ) – ligadura ou ligatura?

– será uma criança de seis anos capaz de escrever palavras com hífen?

– a expressão «ouve lá!» pode ser ofensiva?

– na sequência «a decisão do juiz», que função tem «do juiz» na frase?

– que significa o regionalismo português "quantal"?

– como se explica que as palavras mãe e pai remontem ao latim vulgar MATRE e PATRE?

2. Em O nosso idioma, transcreve-se um texto que o ex-ministro da Educação português Nuno Crato escreveu e publicou em 2/03/2002, no semanário Expresso, sobre a história do sinal @.

Sobre os atuais usos de @, chamado arroba, leiam-se "O x e a @ para referir o masculino e o feminino" e  "O uso de @para marcar o género das palavras".

3. Está na ordem do dia falar dos millennials, também conhecidos como Geração Y, ou seja, as pessoas nascidas entre os anos 80 e meados dos anos 90 do século passado[1], que estão a definir modas e tendências. Haverá maneira de evitar o anglicismo millennials ou afeiçoá-lo ao vernáculo? Procurando exemplos do que se faz em outras línguas românicas, irmãs da portuguesa, assinale-se que, em Espanha, a Fundéu-BBVA sugere para o castelhano milénicos, mileniales e miléniales. Em português, podemos construir formas paralelas: milénicos e mileniais, mas encontrar forma homóloga de miléniales – "miléniais" (singular "milénial") – parece mais difícil ou até impossível, porque não ocorrem substantivos e adjetivos esdrúxulos (proparoxítonos) terminados em -l.

À volta do comportamento da geração do milénio (ou milenial), sobretudo no mundo do trabalho, assista-se ao vídeo da entrevista com o escritor anglo-americano Simon Sinek, especialista em motivação (legendas em português).

[1 Frase corrigida em 12/01/2019.]

4. Da Galiza, chega o o anúncio da realização de um documentário intitulado Pacto de Irmãos, a respeito de um dos mais antigos documentos medievais quer de Portugal quer da Galiza. Trata-se de um projeto da editora galega Através, que o tem  promovido de várias formas, entre elas, pela apresentação em vídeo disponível aqui.

5. Sobre os programas produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa, recorde-se que o Língua de Todos (RDP África, sexta-feira, 11 de janeiro, pelas 13h15*, com repetição no sábado, 12/01) se centra nos projetos desenvolvidos pelo Centro de Língua do Instituto Camões na Universidade Pedagógica da Beira, em Moçambique, enquanto o Páginas de Português (Antena 2, domingo, 13 de janeiro, às 12h30*, com repetição no sábado seguinte, 19/01, às 15h30) dá destaque ao Dicionário de Erros Falsos e Mitos do Português, do professor universitário e tradutor Marco Neves.