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Atropelos linguísticos e (ainda) a querela ortográfica em Portugal
Atropelos linguísticos e (ainda) a querela ortográfica em Portugal
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 431

1. No Correio, o consulente Ângelo A. Vaz fala de dois atropelos à língua portuguesa: nas placas dos percursos pedestres, confundem-se as unidades de tempo com as unidades goniométricas (relativas à medição de ângulos); entre os profissionais de rádio e televisão, é urgente melhorar a dicção, porque são frequentes desleixos como "tamém" (= também)  ou "pà" (= «para a»).

2. Como escrever? «Uva passa» ou uva-passa? "Video-arte", ou videoarte? «À vontade» ou à-vontade? As respostas estão no consultório.

3. Sucedem-se em Portugal as reações à decisão do parlamento e do Governo de não aceitarem a revisão unilateral do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO) proposta pela Academia das Ciências de Lisboa (ACL) em audição parlamentar realizada em 7/2/2017. À volta deste assunto, a rubrica Acordo Ortográfico tem selecionado várias ligações, para dar conta de como a questão ortográfica absorve a atenção dos Portugueses. Assim, leiam-se Francisco José Viegas (Correio da Manhã, 9/2/2017), que declara sombriamente ter-se o AO «estabelecido em terra queimada»; Joana Petiz (Diário de Notícias, 9/2/2017), que se resigna a ver o AO como um facto consumado entre a população mais jovem; ou o blogue Acordo Ortográfico: O que mudou?, onde se publicou em 30/1/2017 o texto intitulado "Propostas da Academia de Ciências para o AO90: a montanha pariu um musaranho!". Igualmente se dá acesso a outros documentos, como um manifesto em que Ana Salgado, coordenadora dos trabalhos para a nova edição do dicionário da ACL, clarifica a sua posição sobre o AO; e a dura crítica que Rolf Kemmler, sócio correspondente estrangeiro da ACL, dirige aos proponentes da revisão. Finalmente, a mesma rubrica disponibiliza o artigo "Não ao Acordo Heterográfico", que o jornalista Henrique Monteiro publicou no semanário Expresso em 9/2/2017 e do qual se transcreve a seguinte passagem: «É [...] racionalmente inexplicável uma polémica tão antiga a respeito de algo que – ao contrário do que nos querem impingir – nada tem a ver com pureza da língua ou com as confusões de palavras. Quem estudou um pouco de linguística sabe que as palavras são sempre entendidas no contexto de frases e não isoladamente – tanto faladas como escritas. Por isso canto (verbo cantar), canto (da sala) ou canto (no futebol) podem ser escritas da mesma maneira e sempre entendidas consoante o contexto.»

4. Da Galiza chegam notícias sobre a apresentação em 1/2/2017 do livro As Irmandades da Fala, cen anos despois, com o qual o grupo de Investigação Linguística e Literária Galega da Universidade da Corunha marcou a comemoração do centenário daquele movimento, fundado em 1916 na Corunha e que tinha, entre os seus objetivos, uma aproximação ao mundo de língua portuguesa1. Refletindo sobre o que ficou do impulso dado pelas Irmandades da Fala à promoção do galego, a coordenadora do volume, Carme Fernández Pérez-Sanjulián não escondeu certo pessimismo: «Debemos preguntarnos se se acadou a plena normalización da lingua na nosa terra.»

1 Em 16 de fevereiro de 2016, também o Ciberdúvidas se juntou de algum modo a estas comemorações, ao organizar com a Universidade Sénior de Almada uma palestra proferida pelo investigador e crítico literário galego Isaac Lourido (Prémio Carvalho Calero de Ensaio em 2014), com o título "Cem anos de cultura galega moderna: das Irmandades da Fala ao Ano Castelao". Na imagem, o primeiro número (16/12/1916) do boletim A Nosa Terra, porta-voz das Irmandades da Fala.

5. Os programas produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa centram a sua atenção no lançamento da plataforma de ensino a distância Português mais Perto, projeto resultante da colaboração editorial entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e a Porto Editora. Sobre esta iniciativa, o Língua de Todos de sexta-feira, 10 de fevereiro (às 13h15**, na RDP África, com repetição no sábado, 11 de fevereiro, depois do noticiário das 9h00**), entrevista Vasco Fernandes Teixeira, administrador da Porto Editora, explica quais serão os utilizadores da nova plataforma, a que aqui já se deu relevo. Também o Páginas de Português de domingo, 12 de janeiro (na Antena 2, às 12h30**, com repetição no sábado seguinte, às 15h30**), foca a apresentação desta plataforma numa conversa com o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro.

* Lembramos a atividade desenvolvida pela Ciberescola da Língua Portuguesa e pelos Cibercursos da Língua Portuguesa no âmbito do ensino a distância e da aprendizagem do português, conforme realça a abertura de 6/2/2017.

** Hora oficial de Portugal continental.