Dois velhos tropeções, a linguagem náutica no Cuidado com a Língua! e a promoção do português pelo ensino a distância - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Dois velhos tropeções, a linguagem náutica no Cuidado com a Língua! e a promoção do português pelo ensino a distância
Dois velhos tropeções, a linguagem náutica no Cuidado com a Língua!
e a promoção do português pelo ensino a distância
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1. Constantes já de vários esclarecimentos anteriores no Ciberdúvidas são a prolação da palavra acordo, no plural, e o erro da "precaridade", em vez de precariedade. Voltamos a eles no contexto das negociações da concertação social, em Portugal e do que se voltou a ouvir em declarações públicas relacionadas com este tema. Foi o caso da entrevista dada em 5/2/2017 ao programa Conversa Capital (Antena 1) pelo líder da CGTP, Arménio Carlos, que, como já parece seu hábito, não evitou dois velhos tropeções: "precaridade" e "acórdos" (aos 6' 18'' e 6' 48'' do registo áudio). Repita-se – as vezes necessárias – que o substantivo derivado de precário é precariedade, com um e entre as sílabas -ri- e -da- desta palavra; que o plural de acordo tem o fechado ("acôrdos"); e que, havendo dúvidas, estão sempre disponíveis para consulta as perguntas e os artigos do vasto arquivo do Ciberdúvidas, por exemplo, aqui e aqui.

2. Na atualização deste dia do Ciberdúvidas entraram entretanto três novas respostas, no consultório: haverá equivalente português para o anglicismo stand-up comedy? O advérbio de lugar atrás pode ter valor temporal? E como é que se conjuga pronominalmente levares em «é melhor levares a caixa»?

3. A lufa-lufa dos rebocadores e de quem neles trabalha na barra do Tejo é o cenário do 4.º programa da nova série do magazine Cuidado com a Língua!, transmitido pela RTP 1 nesta terça-feira, 7 de fevereiro, depois das 21h001. Com as expressões, ditos, curiosidades, mas também com algumas das confusões mais recorrentes desta linguagem náutica. Por exemplo: porquê bombordo e porquê estibordo? E «andar à frente» e «andar à ré»? E a diferença entre barco, barca, iate e cruzeiro? E a frase «deixar barco e redes», o que significa? E «arrear cabo»? Finalmente: o que se quer dizer, em São Tomé e Príncipe, com o provérbio «o mar enche e vaza»?

1 Hora de Portugal Continental. A nova série do Cuidado com a Língua!, como qualquer das anteriores oito, passa igualmente nos canais internacionais da RTP (ver aqui), ficando também disponível na página oficial da RTP. Outras informações, aqui.

4. Nesta terça-feira realizar-se-á também o lançamento, em Lisboa, da plataforma de ensino a distância Português mais Perto, resultante de uma parceria entre o Instituto Camões e a Porto Editora, visando apoiar a competência linguística de jovens de famílias falantes de português radicadas em países não lusófonos. É de lembrar que a Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa igualmente intervém na área do ensino a distância em Portugal, por intermédio das plataformas Ciberescola da Língua Portuguesa e Cibercursos, as quais contam já com anos de experiência na preparação e realização de aulas bem como na produção de recursos destinados à disciplina de Português em diferentes modalidades – língua materna (PLM), língua não materna (PLNM), língua de herança, ou língua estrangeira (PLE). Importa ainda realçar que a atividade da Ciberescola abrange, entre outros, o Projeto de Cursos de PLNM a Distância da Ciberescola, que funciona em regime de aprendizagem mista (blended learning) e consiste num processo de cooperação institucional e educativa da Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa/Ciberescola, da Direção-Geral de Educação (Ministério da Educação) e de agrupamentos e escolas não agrupadas da rede pública de ensino.

5. De Angola, chegam ecos da questão à volta do português usado nas escolas, na administração, nas empresas ou na comunicação mediática deste país. Um texto do escritor e jornalista angolano José Luís Mendonça, disponível no blogue da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia (AICL) – e que fica também na rubrica O Nosso Idioma, na área temática O português em Angola –, apresenta um quadro preocupante, a pedir uma intervenção exigente do Estado e de outras entidades responsáveis, conforme sublinha o autor num parágrafo: «A versão popular, que eu chamo de portungolano, pode ser usada na rua, nos corredores da escola, no seio da família e no discurso literário, mas, na sala de aula, na burocracia do Estado e das empresas privadas e no noticiário da TPA [Televisão Pública de Angola] é o português oficial que deve servir de veículo da comunicação. Sem concessões de espécie alguma. O resto são balelas para adormecer incautos e para alguns licenciados se vangloriarem com teses mal concebidas.»