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Textos de autores lusófonos sobre a língua portuguesa, de diferentes épocas.
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Floresça, fale, cante, oiça-se e viva
a portuguesa língua, e já onde for,
senhora vá de si, soberba e altiva!
Se até aqui esteve baixa e sem louvor,
culpa é dos que a mal exercitaram,
esquecimento nosso, e desamor!
(...)


A minha língua é bonita como um vestido de domingo
é bela como o tempo
tem passado,  presente e futuro
tem sons que enchem a minha casa de afetos
afetos dos sentidos, dos cinco
afetos que me afetam e me tocam
me vestem e despem a alma
e arrancam
os pregos que me amarram
e alteram a minha vida, numa transformação física
e tem cores que se misturam na água da minha boca
numa solução química, ora doce ora amarga.
a minha língua fica às vezes presa com...

Nunca vou conseguir avaliar esta língua apenas pela sua música. Está demasiado dentro de mim para que seja capaz de alcançar esse exercício. Disse a minha primeira palavra em 1975 e, desde então, o meu vocabulário tem aumentado. Ao ponto de, quando não sou capaz de dizer algo nesta língua, ter a sensação, certamente errada, de que se trata de um assunto impossível de descrever.

Madre língua portuguesa,
Sombra dos coros divinos;
— Milagre da naureza:
De rouca e surda rudeza
Erguida em sons cristalinos!

[...]

Alta espada de dois gumes,
Castelo das cem mil portas:
Língua viva, que resumes
— Rescaldo de ttantos lumes! —
O génio das línguas mortas...

[...]

Ai de mim! Para louvar-te,
Chovessem na minha mão
Estrelas de toda a parte;
Fosse um trovão a minha arte;
Fosse a minha alma um vulcão!

Eu amo tanto a nossa língua, esta nossa querida língua portuguesa! — fidalga de nascença pelos pais, cedo emancipada e logo rica, modesta no aspecto, dada no trato, grave no som, sóbria na tinta, gentil de linhas, e por ser desembaraçada de partículas inúteis, precisa nos conceitos, rápida nas máximas, evidente nos contrastes; e ao mesmo tempo cândida para bucólicas, terna para lirismos, altiloqüente nas estrofes das epopéias sonorosas, esquiva no diálogo curto, avolumada no discurso lento, s...


Cantei nos Cantares de Amigo,
cantando, a Pátria nasceu;
Portugal floriu comigo
quando a poesia cresceu.

Ai flores, ai flores dos Cancioneiros,
oh graça e sorriso dos poemas primeiros!

Ondas do mar me embalaram,
tanto andei a navegar,
que nos meus ritmos ficaram
íris e longes do mar. <...

Aquelle Manuel do Rego
É rapaz de tanto tino
Que em lirio põe sempre y grego,
E em lyra põe i latino!
E como a gente diz ceia
Escreve sempre ceiar;
Assim como de passeia
Tira o verbo passeiar!
Nunca diz senão peior
Não só por ser mais bonito,
Mas porque achou num auctor
Que deriva de sanskrito.
Escreve razão com s,
E escreve Brasil com z:
Assim elle nos quizesse
Dizer a razão porquê!
Também como diz — eu soube
Julga que eu poude é correct...

Nunca o Silvestre tinha tido uma pega com ninguém. Se às vezes guerreava, com palavras azedas para cá e para lá, era apenas com os fundos da própria consciência. Viúvo, sem filhos, dono de umas leiras herdadas, o que mais parecia inquietá-lo era a maneira de alijar bem depressa o dinheiro das rendas. Semeava tão facilmente as economias, que ninguém via naquilo um sintoma de pena ou de justiça — mesmo da velha —, mas apenas um desejo urgente de comodidade. Dar aliviava. (...)

Língua cuja suave melodia,
Cuja enchente fecunda de expressões,
Clara te faz entre as viventes línguas,
    Mais que tôdas ilustre:

Se aquele que imitando o Cisne Argivo
Tanto as latinas musas ilustrou ,
Que as fez voar eternas pelo mundo,
    Vencidas quási as gregas;

Que as armas e o varão pio cantando,
Que o caro pai, que os caros seus Penates
Salvou por entre as c...

Nunca permita o Céu , nunca tal mande
Que, merecendo nome meus escritos,
Este na voz do povo em muitos ande.

Contentasse-vos eu, raros esp´ritos
Que nos ides a língua enriquecendo
Nas rimas e na prosa, em altos ditos!

Ditosa língua nossa, que estendendo
Vás já teu nome tanto, que, seguro,
Inveja a toda outra irás fazendo!