Pronúncia afectada, regionalismos e erros - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Pronúncia afectada, regionalismos e erros

Começo por (mais uma vez) agradecer terem criado este lugar, que muito me tem ajudado a pensar e repensar o uso da Língua Portuguesa.

Li numa das respostas que dizer /Filipe/ era afectado devendo ser dito /Felipe/ (que se ouve muitas vezes como /F'lipe/ ou /F'lip/). Por que razão pronunciar os dois ii é afectação e dizer /Felipe/ não é considerado regionalismo, tal como no caso do uso de /coeilho/ em vez de /coêlho/? Não deveriam /F'lipe/, tal como /coâlho/ e /L'esbôa/ ser considerados regionalismos e /Filipe/ tal como /Virgílio/ e /Lisboa/ serem tomadas como as pronúncias correctas para evitar erros ortográficos?

Sérgio Rodrigues Coimbra, Portugal 3K

Em português, desde sempre que tem havido e continua normal a dissimilação i-i em e(mudo)-i. Esta é a explicação, o fenómeno deve-se a uma tendência particular da língua portuguesa. Portanto, o mesmo é válido para ministro, vizinho, etc., que, ao contrário da pronúncia indicada erradamente pelo Dicionário da Academia, também o apresentam na língua normal, padrão. A ortografia, como em tantos casos, é muito conservadora, pelo que não toma em conta a pronúncia correcta destes termos. A que apresenta para Lisboa, com e mudo em vez de i, é própria dos alfacinhas (como eu!), mas um bocado mais ignorantes. Quanto a coelho, a 1.ª pronúncia que aponta é a normal (e = âi), a 2.ª regional (alentejana, p. ex.) e a 3.ª (e = â) a de lisboetas analfabetos (e também a indicada pelo Dicionário da Academia!!!).

F. V. Peixoto da Fonseca