O significado de passar-se e da expressão «está a ver?» (português europeu)
Gostaria de saber o significado da frase «Você, leitor, quer passar-se?», que eu vi em http://pauloquerido.pt/tecnologia/voce-leitor-quer-passar-se/. O responsável pelo site tentou explicar com:
«Dativo, está a ver o inglês freak out? É nesse sentido.» E eu continuei sem entender nada. Não sei se ele se refere a uma expressão inglesa ou a algum programa com o mesmo nome. Também a expressão «... está a ver» não faz muito sentido. Seria: «está(s) vendo/assistindo»?
Muito obrigado pela ajuda.
A definição de ditongo
[A] propósito da definição, produção e percepção de ditongos, [recebi uma resposta vossa, com exemplos, que]* foi assaz taxativa: «Não sabemos de quem diga que não há ditongos em português.» Ora bem, a meu ver, os exemplos que o(a) prezado(a) consultor(a) listou mais não são que evidentes provas da impropriedade lexical que flutua em torno do conceito ditongo, o qual uso deturpado se generalizou. Em abono da verdade, o Dicionário da Língua Portuguesa – sem Acordo Ortográfico da Porto Editora define ditongo como sendo uma «sequência, numa sílaba, formada por uma vogal e uma semivogal». O verbete enciclopédico da Infopédia vai mais longe, afirmando que o vocábulo inglês fire se pronuncia [‘fajE].
Claro que estas afirmações incorrectas só podem vingar numa língua em que não existem verdadeiros ditongos, mas tão-somente combinações de vogal + semivogal. Nesta linha de pensamento, acresce citar duas fontes: uma informal, extraída de um fórum em linha (1), e outra formal, extraída do Précis de phonétique historique, de Noëlle Laborderie (2).
(1) «Ditongos em diferentes línguas? ■ Eu queria tirar uma dúvida: na língua portuguesa, os ditongos são formados pelo encontro de uma vogal + uma semivogal. em [sic] inglês e em outras línguas germânicas, por exemplo, os ditongos, por sua vez, são formados pelo encontro de duas vogais, sendo a mais forte o núcleo silábico. Foneticamente, existe alguma diferença entre os ditongos formados com as semivogais [j] e [w] e as vogais fracas [i] e [u]?»
(2) On remarque que y se vocalise (devient voyelle) en iꞈ diphtongal, c’est-à-dire un i qui n’est pas centre de syllabe (…).
N.B. – Noëlle Laborderie utiliza o Alfabeto Fonético de Bourciez nas suas transcrições, em oposição com as restantes fontes já citadas.
Conclui-se, pelos exemplos dados, que pronunciar [aj] não é o mesmo que pronunciar [aiꞈ], pois só a última transcrição é um ditongo. Para além do mais, em algumas evoluções fonéticas do latim para o francês, dá-se conta da fase em que o encontro de sons era um ditongo e daquela em que, pela consonantização de um dos elementos desse encontro, passou a ser uma sequência de vogal + semivogal.
Para concluir, não podia deixar de transcrever algumas correctas definições de ditongo, bem como a certa transcrição fonética de fire – /ˈfʌɪə/ (in Oxford Dictionaries).
Oxford «■ a sound formed by the combination of two vowels in a single syllable, in which the sound begins as one vowel and moves towards another (as in coin, loud, and side).»
Larousse «■ Voyelle complexe dont le timbre se modifie graduellement une fois au cours de son émission (par exemple en anglais [ei] day, [ou] nose ; en allemand [au], Haus ; enespagnol [ue] muerte; en italien [uo] cuore). [En français moderne, il n’existe plus de diphtongues : les graphies eu, au, ou correspondent à des voyelles simples [ø], [o] et [u].]»
[...]
* N. E. – O consulente refere-se a uma resposta que lhe foi enviada diretamente, sem ter sido posta em linha no consultório.
Zimbabwe, Zimbabué ou Zimbábue?
Gostaria que me esclarecessem:
Escreve-se Zimbabwe, Zimbabué ou Zimbábue”?
Garagem
Sobre o uso das palavras garagem e garage; ex.: favor retirar todos os carros da garagem.
«Amor é fogo que arde sem se ver»
Por favor, gostaria de fazer uma pergunta específica sobre uma oração subordinada. Estou em dúvida sobre a oração: «Amor é fogo que arde sem se ver». Ela é subordinada adjetiva? Obrigada pela atenção.
Penhorar = empenhar?
Qual a diferença entre penhorar e empenhar?
Elencar, elencagem. Para quê?
O verbo «elencar» é correcto?
Uma frase como a seguinte considera-se correctamente formulada: «Ele elencou todos os projectos relativos ao tema em causa.»?
Desconstruir
Actualmente, oiço com alguma frequência a designação «desconstruir», pretendendo significar analisar, decompor. Trata-se de um termo aceitável?
Os pronomes no português e no galego
Antes que tudo, desejo parabenizar o Ciberdúvidas pelo serviço inestimável que fornece a todos os lusófonos.
Previamente quero dizer que como galego-falante entendo o galego como que fazendo parte da lusofonia, em pé de igualdade com as outras variantes do português (Portugal, Brasil, etc.), e não como língua diferente do português.
No galego (ou português da Galiza) é plena a vigência do pronome de segunda pessoa do plural "vós", diferente do que aconteceu na maioria do território português na actualidade. Assim, na Galiza diz-se: vós tendes as vossas cousas, como em Portugal é vocês têm as vossas coisas. São usos, creio, que não impedem a unidade da língua.
Dito isto direi que a minha dúvida consiste no uso de certas formas pronominais no português falado correntemente em Portugal, como consequência, entre outras, da substituição do "vós" por "vocês" e da existência duma forma de tratamento de respeito "os senhores". Também no caso do uso dos pronomes "si", "consigo" (em Portugal, repito) me surgem dúvidas.
Exemplificarei a dúvida com estas frases. Quais as alternativas correctas?
a) Estou a tratar alguém por "você". Como lhe diria: – Tenho isto para si/tenho isto para você. – Vou consigo/vou com você. b)Estou a tratar alguém por "o senhor": – Tenho isto para si/tenho isto para o senhor. – Vou consigo/vou com o senhor. c) Estou a falar duma terceira pessoa (ele ou ela). Como lhe diria? – Era bom para si/Era bom para ele. – Levou o filho consigo/levou o filho com ele d) Estou a falar para um grupo de pessoas em tratamento informal tratando-as por "vocês" (antigo, literário, regional e galego de hoje "vós"): – Não vos digo nada/Não lhes digo nada (a vocês). – Vocês têm as vossas/Vocês têm as suas canetas. – Tenho isto para si/tenho isto para vocês. – Vou convosco/Vou com vocês. e) Estou a falar para um grupo de pessoas em tratamento formal tratando-as por "os senhores": – Não vos digo nada/Não lhes digo nada (aos senhores). – Tenho isto para si/tenho isto para os senhores. – Os senhores têm as vossas canetas/os senhores têm as suas canetas. – Vou convosco/Vou com os senhores. f) Estou a falar dum grupo de pessoas em terceira pessoa: – Era um segredo para si/Era um segredo para eles. – Levaram o rapaz consigo/Levaram o rapaz com eles.
Muito obrigado pela atenção.
A regência de transitar
Como é a forma correcta de escrever?
«Transita a...», ou «transita para...»?
