DÚVIDAS

Decisivo, decisório e “decisional”
Tenho ocasionalmente encontrado a palavra decisional em vários textos. Contudo, quando procuro, nos dicionários que possuo, a referida palavra, não a encontro. Ainda recentemente li um texto no qual se podia ler o seguinte excerto: "Considerar à partida que há uma solução melhor do que as outras é, como refere Bana Costa, "considerar que em qualquer situação decisional existe pelo menos uma solução, que com tempo e meios suficientes pode objectivamente ser demonstrada como sendo a melhor solução."
Majorar e Majoração
Gostaria de apontar, com respeito à pequena discussão sobre os termos "plafond" e seus derivados "plafonar" ou "plafonamento", uma palavra vulgaríssima entre quem estuda matemática e que tem precisamente o significado com que essas palavras estranhíssimas têm sido usadas: majoração. Provavelmente os mesmos senhores que com vaidade empregam essas palavras já estudaram, porque são economistas, leram e conhecem o termo majoração, mas como é uma palavra com um ar muito vulgar... Há também os derivados majorar e majorante que podem ser empregues com clareza. Em vez de "plafonar" as contribuições para a Segurança Social ou de lhes criar um tecto, se quisermos ser inovadores na linguagem podemos majorá-las ou estipular um majorante para elas - além se ser mais compreensível para todos, é até elegante!
Sobre «A vírgula em orações consecutivas»
«E a passagem da monarquia para a república não melhorou a vida da população, que se sentiu defraudada.» Na frase acima, apresentada pela consulente Maria Pereira em 10/11/2011, permito-me discordar da resposta dada pelo consultor Miguel Moiteiro Marques. Com a vírgula, a oração «que se sentiu defraudada» poderia também ser interpretada, e muito mais, como adjetiva explicativa. Portanto, a meu ver, a melhor solução, caso se queira considerá-la oração consecutiva, seria utilizar uma das locuções conjuntivas apontadas: «de modo que», «de forma que», após a competente vírgula, é claro. Penso, aliás, que a conjunção que consecutiva seria mais bem usada em construções tais como: «Correu tanto, que se cansou»; «Seu olhar era tão incisivo, que a moça ficou encabulada» (Fernando Bueno, Brasil). Na frase: «E a passagem da monarquia para a república não melhorou a vida da população, que se sentiu defraudada.» – a oração que se sentiu defraudada não é consecutiva, mas relativa. Verifiquei hoje que o Ciber modificou o texto da resposta inicial, que estava errada. Mas, em vez de corrigir o erro, acentuou-o. Aquele que é um pronome tão relativo (!) que até é sujeito da oração. Se não acreditam no que eu digo, perguntem a qualquer professor de latim. Nenhum pode admitir a hipótese de aquele que ser consecutivo; nenhum ali poria um ut (conjunção consecutiva). E repito, sem receio de errar: nenhum! E nem precisarão de ir fora da equipa do Ciber! Há nela quem possa confirmar a minha análise. A nossa Colega, a professora Maria Pereira, que teve a humildade de vos consultar, e os vossos muitos leitores merecem uma informação correcta. (Virgílio Dias, Portugal)
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