Os estrangeirismos e a nova terminologia - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Os estrangeirismos e a nova terminologia

À luz da nova terminologia, ainda existem «estrangeirismos»?

Coloco esta questão porque nalgumas gramáticas surge desta forma:

— as palavras que te parecem importadas de outra língua, não sofrendo alterações, são estrangeirismos;

— as palavras que sofreram, na língua portuguesa, um processo de adaptação a nível da grafia ou da pronúncia são empréstimos.

Maria Rosa Estudante Barreiro, Portugal 7K

1. Da versão revista da TLEBS consta a entrada empréstimo, com restrição de definição em relação à versão inicial, no sentido em que deixa de aí constar a vertente de transferência de uma unidade lexical de um universo de referência para outro, dentro da mesma língua (empréstimo interno).

2. Em O processo de integração dos estrangeirismos no Português Europeu (T. Freitas, M. C. Ramilo; E. Soalheiro)1; assume-se que estrangeirismo é o termo que designa palavras provenientes de línguas estrangeiras que não estão integradas do léxico do português e que empréstimo é um termo que tanto pode referenciar palavras estrangeiras como o próprio processo ou fenómeno de passagem de uma língua para outra.

Neste artigo faz-se a descrição de várias fases de integração dos estrangeirismos no português (passando cada fase por um conjunto de fenómenos fonéticos, morfológicos, semânticos e gráficos) — assunção que não valida, portanto, a distinção entre estrangeirismo e empréstimo encontrada pela consulente nas gramáticas consultadas.

1 in Mateus, M. H. Mira e Nascimento, F. Bacelar, 2005 — A Língua Portuguesa em Mudança, Lisboa, Caminho: 37-49.

Ana Martins