DÚVIDAS

O binóculo
Lamento, mas não fiquei esclarecido com a sua resposta anterior a esta minha dúvida. (…) Um óculo é, entre outras coisas, aquele objecto que os marinheiros usavam para ver ao longe. Esse objecto evoluiu para um outro objecto composto por dois óculos lado a lado, que passou a designar-se, penso eu, binóculo, de bi-óculo. Estarei errado? Se assim for, para não haver nenhuma incorrecção na frase «Pegou nuns binóculos e perscrutou o horizonte», era preciso que o sujeito tivesse pelo menos 4 olhos, para conseguir olhar o horizonte através de dois (ou mais) binóculos... Ou, então, que o sujeito tivesse pegado em vários binóculos que estavam por ali, escolhido um deles e olhado o horizonte. A minha dúvida é: o objecto em questão chama-se o binóculo, o binóculos ou os binóculos?
Particípio presente
Com isto de "particípio presente" deparei, a primeira vez, em um programa de televisão, em que brevemente se comentou "ser algo que no latim havia". Uma outra vez, foi quando, estudando a gramática inglesa, meio que às cegas e às apalpadelas, lá pelas tantas me aparece: "present participle and gerund". Dito isso, aí vão as dúvidas: 1) Se a língua portuguesa originou-se, entre outras coisas, da latina e nesta, dizem, havia o "particípio presente", então onde ele está, no português atual? 2) Aquele "present participle and gerund" encontrado na língua inglesa, tem algo que ver com o "particípio presente" da latina, se é que nesta isso existia mesmo? 3) Que paralelos eu poderia traçar entre as línguas portuguesa e inglesa, os quais me facilitassem o aprendizado desta última, especificamente no que tange ao "present participle"? 4) Afinal, se o "particípio presente" era realmente "algo que no latim havia", o que significava este "algo", o que seria o "particípio presente", no latim? O que seria o "particípio presente", no português? E o que seria o "present participle", no inglês? Peço desculpas, se estou abusando demais do Ciberdúvidas, mas apesar de inúmeras cartas enviadas àquele programa, nunca me deram resposta. Por favor, respondam-me o que lhes for possível. Muito obrigado.
Ter que e ter de
Porque aprendi de forma diferente, tenho dificuldade em perceber quais os motivos que levam os vossos consultores a considerar que será correcto empregar «ter que» quando nos referimos a «coisa». Se o «que» é complemento directo, introduz uma nova «oração», que requer «predicado»; será aqui que deve ser feita a distinção. Como não estamos face a uma nova oração, teremos de empregar a preposição, utilizada para ligar dois termos da mesma oração, e nunca um pronome que introduziria uma nova oração. Às vezes é conveniente empregar métodos de análise e raciocínios, habitualmente reconhecidos como ligados a outras ciências, para esclarecer e resolver questões que, à partida, parecem pertencer ao domínio dos dogmas.
Despoletar/espoletar, de novo
Sei que o Ciberdúvidas já respondeu várias vezes à questão "despoletar"/"espoletar" (de espoleta, no sentido de deflagrar, desencadear, accionar, precipitar, etc), mas a verdade é que oiço e leio toda a gente a dizer «fulano ou a entidade cicrana "despoletou" a crise», etc. Será que temos já um erro aceite pelo uso como certo?... Mas, tropa que também eu fui, também eu acho que quem "despoleta" «desarma o mecanismo de accionamento de disparo ou de explosão» (in Dicionário de Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia de Ciências de Lisboa). Logo, quem "despoleta", não faz "bum!", mas o seu contrário... Além de também eu achar um vocábulo feiíssimo!... Que me dizeis? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa