DÚVIDAS

Significado, etimologia e deturpação de palavras
Estive lendo estes dois artigos em O Globo e na agência de notícias Alma Preta. Em ambos, foi levantada a questão de o sentido original de algumas palavras não ser mais respeitado. Daí, a dúvida: devemos levar isso a sério realmente, se a maior parte das palavras troca de sentido com o passar dos tempos? É porque, em um artigo, dizem que foram deturpados os sentidos originais das palavras aniversário e obra-prima. Já no outro, dizem que foi deturpado o sentido original da palavra índio! Mas não é bem comum que palavras passem por mudanças um tanto quanto radicais e extremas, sejam para o bem, sejam para o mal? Vejam o caso da palavra desaforo, por exemplo, na página Origem da Palavra! Pois muito bem, que palpites vocês próprios têm disso tudo aí de verdade? Por favor, muitíssimo obrigado e um grande abraço! P.S.: por falar em aniversário, percebi que vocês fizeram 25 anos de existência enquanto site. E eu também faço anos no dia 29 de janeiro. Bem legal poder fazer anos! Não é verdade isso?
Unificação da língua
Tinha entendido que os países de língua portuguesa haviam unificado sua grafia. Contudo, ao ler "Rodrigues, O Intérprete", de Michael Cooper, com tradução de Tadeu Soares, Quetzal Editores, Portugal, 1994, ainda encontrei várias discrepâncias da maneira como se escreve aqui no Brasil. Por exemplo: facto, exactidão, actividades, protecção, efectivo, acção, projecto, espectaculares, leccionou, correcta, acto....etc., o uso de um "c" que não mais usamos aqui no Brasil. Ou, outro exemplo, o uso do "p" em baptizado, baptismo, optimismo,...etc. E a grafia de "dezassete" e"dezanove" em vez de dezessete e dezenove. O que é correto?
Alterações da nomenclatura gramatical
A nomenclatura relacionada com a área específica da gramática tem vindo a alterar-se profundamente, desde o pronome oblíquo ao sujeito nulo; desde a expansão dos grupos verbais e nominais ao desaparecimento do condicional como modo, substituído agora pelo futuro perfeito ou futuro do pretérito. Fico inquieta com tanta alteração que remove a lógica em que assentou toda a minha aprendizagem. Mais do que uma pergunta, trata-se de um desabafo. Obrigada.
A construção «que não»
Epiphânio Dias, na sua Sintaxe histórica, pág. 277 [2.ª edição, 1933], considera a conjunção que seguida de não como causal com o valor de e, mas não alcancei o porquê; quer-me parecer que «que não» nos contextos indicados pelo autor equivale a exceto. Pode classificar-se ainda hoje o que que aparece nesse contexto como causal, como pensa Epiphânio Dias? Pode ver-se nesse que um que relativo substituível por o qual? Obrigado.
Contrafactual, pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo e oração concessiva
Gostaria de pedir mais informação relativamente ao excerto (que transcrevo) da seguinte resposta: «A consulente apresenta também um conjunto de frases que incluem a estrutura «por mais que», que se pode considerar entre as introdutoras de orações concessivas. Neste caso particular, são apresentados dois tipos de concessivas: as factuais, como em (19) ou (29) , que apresentam o imperfeito ou o pretérito perfeito do conjuntivo na subordinada e o pretérito perfeito na subordinante: (19) "Por maiores que fossem os problemas, ele não desistiu." (20) "Por maiores que tenham sido os problemas, ele não desistiu". Já a frase que apresenta o mais-que-perfeito do conjuntivo é incorreta, porque o recurso ao mais-que-perfeito do conjuntivo na subordinada aponta para um valor contrafactual que exigiria o uso do mais-que-perfeito composto do indicativo ou o condicional na subordinante: (21) "*Por maiores que tivessem sido os problemas, ele não desistiu."» Gostaria de saber a que se deve o valor contrafactual de «Por maiores que tivessem sido os problemas». Surge-me esta dúvida porque, segundo percebo, o mais-que-perfeito do conjuntivo pode ser usado em concessivas factuais. Ex: Embora o tivesse visto, não o cumprimentou. e a estrutura «por maiores que» também, tal como o demonstra a frase (20) da transcrição. Sendo assim, é esta combinação concreta da estrutura «Por mais que»' com o mais-que-perfeito do conjuntivo que cria o valor contrafactual? Poderiam indicar-me, por favor, outras estruturas que, juntamente com o mais-que-perfeito composto, criam este valor contrafactual? Por outro lado, o imperfeito do conjuntivo admitiria, também, uma leitura contrafactual, caso se usasse o condicional ou o imperfeito do indicativo na subordinante? Ex: Por maiores que fossem os problemas, ele não desistiria/desistia. É possível afirmar-se que o imperfeito do conjuntivo tem, em geral, valor contrafactual nos mesmos casos em que o mais-que-perfeito do conjuntivo o tem? Muito obrigado pelo serviço que o Ciberdúvidas presta, ao qual recorro frequentemente.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa