Ainda «ter a»: «tenho a dizer...»
Na frase seguinte o que significa a combinação «tenho a»: «Tenho a dizer-vos que a origem do termo azulejo é árabe.»
É o mesmo que «tenho de» ou «tenho que» com sentido de dever? É normal utilizar infinitivo ter com a proposição a?
Muito obrigado
Columbano
Ao ver o programa Um contra Todos de 22 de Janeiro do corrente ano, a pergunta de casa (passatempo), relacionada com o tema Personalidades, era quem é o irmão do também pintor de Rafael Bordalo Pinheiro. Nas possibilidades de resposta, a certa era «Colombano Bordalo Pinheiro» – sim, Colombano com o na segunda sílaba.
A questão é a seguinte: é com o ou com u (Columbano)? É que na Internet aparece das duas maneiras, e a curiosidade é que trabalho na Av. Columbano Bordalo Pinheiro em Lisboa e sempre escrevi com u. Em que ficamos? Acho que seria interessante para o vosso programa.
Obrigado pela atenção,
Ramalhete de questões
Caros amigos do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, algumas perguntas aqui presentes já foram enviadas por minha pessoa. Entretanto, elaborei-as novamente para que eu pudesse entendê-las melhor. Obrigado pela atenção.
1) Quando se diz: "Nas últimas duas décadas, a porcentagem do PIB do país apresentou aumento significativo" o termo: Nas últimas duas décadas refere-se ao período que vai de 1970 a 1990 (ou seja, as duas décadas anteriores à década de 90) ou ao período que vai de 1978 a 1998 (ou seja, o período que começou há 20 anos=2 décadas)?
É o primeiro caso (1971 a 1990)*. OBS: Se a resposta for 1970 a 1990, por que as últimas duas décadas não são os últimos 20 anos, já que 2 décadas=20 anos? Afinal que período corresponde às últimas duas décadas?
Os últimos 20 anos vão de 1978 a 1998.
2) Quando se diz: "Nas duas décadas mais recentes", refere-se ao período que vai de 1970 a 1990 ou 1978 a 1998? É o primeiro caso (mais recentes = últimas).
3) Qual é a década seguinte ao ano de 1998? O período 1998-2008?
O período de 2001 a 2010.
4) Quando se diz "nos últimos dois anos o mercado de automóveis vem valorizando os carros a gasolina", a expressão nos últimos dois anos refere-se ao período que vai de 1 de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 1997 ou ao período que vai de 5 de abril de 1996 a 5 de abril de 1998 (dia em que enviei estas dúvidas)?
É o primeiro caso.
E se a frase fosse: "Nos últimos dois anos o mercado de automóveis valorizou os carros a gasolina", últimos dois anos corresponderia a que período? Afinal, os últimos dois anos não são os últimos 24 meses?
1996 e 1997 = Últimos dois anos (ou 24 meses).
5) Quando se diz nos "últimos dois meses(...)", a expressão "últimos dois meses" refere-se ao período que vai de 1 de fevereiro a 31 de março (meses anteriores ao mês de abril) ou 5 de de fevereiro a 5 de abril (período que começou há 2 meses)?
1 de Fevereiro a 31 de Março.
6) Quando se diz: "Na última semana (...)", última semana refere-se à semana passada ou aos últimos sete dias? Por exemplo: se estamos numa quarta-feira, a última semana é o período que vai de quarta-feira da semana passada a quarta-feira em que estamos?
É a semana passada.
7) E os últimos dois dias? São as últimas 48 horas? Por exemplo: 12 horas do dia 3 de abril às 12 horas do dia 5 de abril?
Exactamente.
8) Quando se diz "Nas próximas 2 décadas(...)", "próximas 2 décadas" refere-se ao período que vai de 2000 a 2020 ou ao período que vai de 1998 a 2018?
2001 a 2020.
9) Quando se diz "nos próximos dois meses(...)", "próximos dois meses" refere-se ao período que vai de 1 de maio a 30 junho (os dois meses posteriores ao mês atual) ou ao período que vai de 5 de abril a 5 de junho?
1 de Maio a 30 de Junho.
10) Quando se diz "Nos próximos 2 anos(...)" - Próximos 2 anos refere-se ao período que vai de 1 de janeiro de 1999 a 31 de dezembro de 2000 (os dois anos posteriores ao ano em que estamos) ou ao período que vai de 5 de abril de 1998 a 5 de abril de 2000 (24 meses)? Os próximos 2 anos não são os próximos 24 meses?
1 de Janeiro de 1999 a 31 de Dezembro de 2000, ou seja os 24 meses depois de acabar 1998.
11) E o próximo milênio: 1998 a 2998 ou 2000 a 3000?
2001 a 3000 (mil anos certos!)
«Matou a charada com tirocínio certeiro»
Na frase «matou a charada com tirocínio certeiro» ocorre um caso de alegoria ou se trata de um simples jogo de palavras?
Muito obrigado.
Topónimos geográficos
Em topónimos geográficos como Serra da Estrela, Rio Mondego, Baía de Sesimbra, Ribeira de Odivelas ou Monte das Oliveiras, Rebelo Gonçalves estatuiu que, se se trata de acidentes naturais, se deveria usar minúscula - serra, rio, baía, ribeira, monte, etc. Esta regra - que me parece sem cabimento hoje, quando o homem já interage a tão elevada escala com a natureza - ainda estará "em vigor", ou seja, ainda fará sentido?
Desaerificante / “desaerante”
Gostava de saber qual dos termos é mais adequado ou correcto para designar um produto químico cuja finalidade é remover o ar de um artigo têxtil: desaerante ou desaerificante?
Obrigada.
Emandongar
Antes de mais, gostaria de vos agradecer pelo excelente trabalho de divulgação e conhecimento da língua portuguesa!
No meu círculo familiar, sempre se usou emandongar com o significado de «amarrotar» (uma peça de roupa). Acontece que, fora dele, estranhavam e desconheciam sempre a palavra. Sendo oriunda da região de Leiria/Coimbra, desconheço quaisquer raízes alentejanas, mas descobri há pouco tempo que a palavra pode ser um regionalismo alentejano. Podem confirmar/infirmar esta descoberta? E, já agora, existe algum registo sobre a etimologia da palavra?
Muito obrigada e continuação de ótimo trabalho!
Verbos transobjectivos e predicativo do objecto
Vejo, em alguns sítios de professores, exemplos de predicativo do objeto com os quais não concordo. Para haver predicativo do objeto, o verbo deve ser transobjetivo. Onde posso arrumar uma lista desses verbos?
Por exemplo, «Os policiais pediam calma absoluta»: «absoluta» foi caracterizado como predicativo do objeto direto, quando entendo que seja parte integrante do objeto direto, adjunto adnominal, visto não ser relacionado a esse pelo verbo.
Quando jovem, um professor me ensinou um macete, substituir o objeto por um pronome oblíquo e verifcar se resta a qualidade. Nessa frase, creio que seria «Os policiais pediam-na» e não «Os policiais pediam-na absoluta». Já na oração «Julguei a paz absoluta» («julguei» é transobjetivo) ficaria «Julguei-a absoluta». Estou correto, ou realmente absoluta é predicativo do objeto no primeiro exemplo?
O verbo prazer e derivados
Estudando a conjugação do verbo prazer [...], deparei-me com certa discordância entre as possíveis formas de conjugá-lo, assim como as de seus derivados: aprazer, comprazer, desaprazer, descomprazer e desprazer.
Se possível, gostaria que me fossem enviadas as conjugações dos mencionados verbos e de que se esclarecesse por que possuem diferentes padrões de flexão, partindo da premissa que todas, acredito, derivam do verbo prazer.
Obrigado.
«A conselho de»
«A conselho do padre, Manuel foi para casa.»
Nesta afirmação é correto empregar-se «a conselho»? Ou ficaria mais correto: «O conselho do padre…»
Grato pela atenção.
