DÚVIDAS

Ter / existir
   Em Portugal costuma-se criticar os brasileiros pelo seu uso de "ter" nas frases:    Em Portugal tem montanhas. / Neste quarto não tem televisão.    E sugere-se as seguintes alternativas:    Em Portugal há montanhas ou (sem em) Portugal tem montanhas.    Isto é uma legítima crítica? Ou não passa de uma piada prescritiva? No Brasil o uso de "ter" nas frases locativas-existenciais é considerado correto na linguagem formal? Eu pessoalmente não concordo com essas críticas, visto que este uso de "ter" é uma tendência universal (em polonês, por exemplo, este "ter" pode usar-se nas orações negativas, e em croata tanto nas negativas como nas positivas).    Obrigado.
Para + infinitivo: «paramos para nos olharmos»
Qual das opções abaixo está gramaticalmente correta? Observando-se a conjugação dos verbos olhar e estancar: 1. «Até quando cultivaríamos as chagas do passado, mantendo-as abertas e sangrentas? Apontando dedos e ferindo outros feridos, em vez de pararmos por um instante para nos olharmos e estancarmos as nossas próprias chagas.» Ou 2. «Até quando cultivaríamos as chagas do passado, mantendo-as abertas e sangrentas? Apontando dedos e ferindo outros feridos, em vez de pararmos por um instante para nos olhar e estancar as nossas próprias chagas.» Há alguma regra pela qual me possa guiar para este tipo de dúvida? Muito obrigada.
O significado de folclore
Estudo o folclore há cerca de 50 anos, e durante 35 fiz a pesquisa etnocultural da freguesia de Montargil, que por alguns especialistas é considerada uma referência na região. E o que é para nós, folcloristas e etnógrafos, o folclore? Digamos que a expressão de todas as vivências das gentes de antigamente quando ainda não eram influenciadas por diferentes maneiras de ser e de estar. Mas todos conhecemos expressões como «não ligues, que isso não passa de folclore», o que a Sociedade da Língua Portuguesa diz só se poder admitir a pessoas analfabetas ou de pouca cultura. Acontece ainda que em Portugal é marcante o desconhecimento sobre a matéria. Mas o que eu agradeço, antes que volte ao vosso contacto – os vossos esclarecimentos são importantes! –, é que me digam o que entendem como folclore. Obrigado.
Desliga / desliga-me
Uma amiga minha escreveu num bilhete para a filha "Quando chegares a casa desliga-me a máquina de lavar" e o marido censurou-a por considerar errado o "desliga-me". A minha amiga achou que não achava errado pois servia para reforçar a ideia de desligar a máquina por ela ou para ela (minha amiga). Como oiço com frequência as pessoas dizerem, por exemplo, "pese-me um quilo de...", gostaria que me elucidasse sobre este assunto.Muito grata pela atenção.
«Tocador de carrilhão»
Na página do Convento de Mafra (Facebook) tenho visto a palavra carrilhanista para designar o «tocador de carrilhão». Fui procurar no dicionário da Academia e não encontrei o termo. No [dicionário de] Cândido de Figueiredo encontrei carrilhador, carrilhanor e carrilhoneiro. Na Wikipédia e em vários dicionários on-line encontro carrilhonista (que é o termo que me soa melhor e não encontrei no Cândido de Figueiredo). Agradecia o favor do vosso douto esclarecimento.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa