DÚVIDAS

O latinismo vico
Como bem sabido, as terminações -us do latim são, de praxe, transcritas no português como -o para uma enorme quantidade de termos e nomes, tanto da antroponímia como da toponímia. Gostaria de saber, considerando esse dado, se poderíamos admitir que vicus é passível de ser escrito como vico para determinar o termo romano para pequeno assentamento/aldeia e a unidade administração vinculada a este tipo de estrutura urbana. Bem sei que pagus [aldeia; pequena unidade administrativa] já chegou ao português desde muito cedo no português como pago (o que reforça o que disse acima), mas ainda me faltam fontes para vicus, mesmo sabendo que é tendência essa alteração.
A função sintática de transpirados
No âmbito de uma tradução do castelhano que estou a realizar, e confrontada com a necessidade de encontrar equivalente em português para a função sintática de «complemento predicativo», sugiro como base de reflexão a seguinte frase: «Os corredores chegaram transpirados à meta.» Neste contexto, a palavra transpirados será um adjetivo e, como tal, desempenhará na frase a função sintática de modificador adjetival do nome (o antigo atributo), ou, pelo contrário, de modificador verbal?
A expressão «ter adesão à realidade»
Nos vossos comentários a questões de interessados na língua portuguesa, distinguem o uso de adesão e de aderência em função do contexto em que é usada cada uma dessas palavras. Há no entanto uma situação que me tem trazido dúvidas. Deve dizer-se ou escrever-se «a ideia de que o capital internacional escolhe o seu destino de investimento tendo em conta a taxa de IRC não tem aderência à realidade», como escreveu João Taborda da Gama no Expresso de 23/09/2022, ou «... não tem adesão à realidade»? Como a expressão em causa tem o significado de «... não coincide com a realidade», parece-me que o uso do termo aderência está correto, embora não me “soe” bem. Será assim?
Infinitivo subjectivo e oração copulativa
«O escritor é um alvo fácil: a apreciação de um pintor exige um perito e dizer mal de um músico é coisa de especialista. Mas todos criticam o escritor.»1— «e dizer mal de um músico é coisa de especialista»: uma ou duas orações?2— se «e dizer mal de um músico» é uma oração, como se classifica? Coordenada copulativa? Subordinada completiva não finita/infinitiva?Obrigado.
A substituição do infinitivo composto pelo infinitivo simples
Em geral, gostaria de saber quando é possível substituir o Infinitivo Composto pelo Infinitivo Simples, mantendo o sentido da frase. Sei que esta pergunta já foi respondida antes no Ciberdúvidas: «Trata-se da possibilidade da substituição de uma forma pela outra– de "intercambialidade", como se sugere na pergunta –,sem incorrer em incorreção ou alteração significativa no significado da frase. O infinitivo simples (IS) pode substituir o infinitivo composto (IC), mas a inversa não é sempre possível.» No entanto, há casos em que me parece que a substituição do Infinitivo Composto pelo Infinitivo Pessoal altera o sentido da frase, ou cria, até, frases agramaticais (26). Fico por isso na dúvida se a resposta do Ciberdúvidas que transcrevi tinha um caráter geral. Tinha? No caso concreto das frases 1 a 4, penso que 1 e 2 têm sentidos semelhantes, mas 3 e 4 não. Qual é a razão para nos casos 1 e 2 ser possível fazer a substituição (caso seja) e nos casos 3 e 4 não (caso não seja)? (1) Foi bom termos tido essa reunião. (2) Foi bom termos essa reunião. (3) É bom termos tido essa reunião. (4) É bom termos essa reunião. Quanto aos seguintes pares de frases, consideram que têm o mesmo sentido? Quais são as regras que permitem (ou não) realizar a substituição de um tempo por outro? (5) Espero desligar o gás. (6) Espero ter desligado o gás. (7)No caso de não poderes vir, telefona-me. (8)No caso de não teres podido vir, telefona-me. (9) Até ele ficar bem, não me irei embora. (10) Até ele ter ficado bem, não me irei embora. (11) Em vez de terem ido ao mercado, podiam ter ido à praia. (12) Em vez de irem ao mercado, podiam ter ido à praia. (13) Depois de acabares os trabalhos de casa, podemos ver televisão. (14) Depois de teres acabado os trabalhos de casa, podemos ver televisão. (15) Apesar de o tempo ter estado péssimo, foram passear. (16) Apesar de o tempo estar péssimo, foram passear. (17) Apesar de terem tido muito dinheiro, são discretos. (18) Apesar de terem muito dinheiro, são discretos. (19) Lamento não terem assistido à reunião. (20) Lamento não assistirem à reunião. (21) Lamentei não teres vindo à festa. (22) Lamentei não vires à festa. (23) Não vás para a rua sem pores o casaco. (24) Não vás para a rua sem teres posto o casaco. (25) É provável já se terem conhecido na última reunião. (26) É provável já se conhecerem na última reunião. Uma vez mais, agradeço o ótimo serviço prestado e a atenção dispensada.
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