«O próximo sábado»
Em uma segunda-feira, dia 2, digo: «sairemos no próximo sábado», qual sábado seria? Imaginando que os sábados do mês são: 7, 14, 21 e 28, qual sábado seria?
Pergunto porque houve uma discussão entre alunos que disseram que seria o sábado seguinte, dia 7, e outro grupo que disse ser o "próximo deste", ou seja, o do dia 14.
Obrigada e agradeço se puder esclarecer.
«Nada a opor» e «nada há a opor»
Como deve dizer-se: «nada há a opor», ou «nada a opor»?
A vírgula antes de enquanto
Antes da expressão enquanto, sempre deve haver vírgula?
O que se segue é correto?
1) As promoções serão mantidas, enquanto houver estoques.
2) O marido vai ao trabalho, enquanto a mulher fica em casa.
3) Vou tomar banho, enquanto você espera na sala.
Chamar com regência
Como autor da resposta dada ao espectador, cujo texto a seguir transcrevo — e como interessado no correcto uso da nossa língua —, podem esclarecer-me sobre os comentários do espectador, ou seja, ele está totalmente correcto, ou também merece ser corrigido?
Grato pela atenção.
1. «Caro Sr. Miguel Fernandes,
[...] Permita-nos apenas referir que é correcto utilizar «chamar de» (exemplos: «Ele é chamado de intelectual/Ele chamou-me de mentiroso»). O verbo chamar, com o significado de qualificar, dar nome, pode ser regido pela preposição de.
Bruno Costa
Assistente de Relações Públicas»
2. «A preposição de pode de facto ser usada a seguir ao verbo chamar, tal como pode ser usada a seguir a qualquer outro verbo. A questão é a função sintáctica dessa preposição; a forma como afecta o significado da frase.
Está obviamente correcto dizer «ele chamou-o de muito longe», «ela chamou-me de repente» ou «eu chamei-te de novo». A preposição de indica que o bloco seguinte é um complemento circunstancial (de lugar, modo, etc.), que qualifica a acção descrita (e não o objecto chamado).
Ora, no caso «ele chamou-me de mentiroso», «mentiroso» não é um modo nem um lugar nem qualquer outra entidade que qualifique uma circunstância. O de (que indicaria isso mesmo) está lá a mais. A forma correcta é «ele chamou-me [nome]». Ele chamou-me Carlos, ela chamou-lhe filho, eu chamei-lhes parvos.
Suspeito que os exemplos referidos não sejam acidentais. Arrisco dizer que foram copiados do site Ciberdúvidas, no qual infelizmente se dão frequentes pontapés na língua portuguesa (às vezes em direcções contraditórias, sem qualquer espécie de referência para além da opinião pessoal dos autores), e há uma certa tendência para ignorar o facto de certas construções linguísticas, correctas em determinadas circunstâncias, estarem incorrectas noutras. A utilização da preposição de a seguir a um verbo (qualquer verbo) é uma delas.
O verbo chamar não tem propriedades especiais (pelo menos nenhuma que não seja partilhada por diversos outros verbos). Estas expressões estão correctas:
«Eu dei-lhe trabalho.»
«Eu deixei-a cansada.»
«Ele chamou-me analfabeto.»
Já estas não estão:
«Eu dei-lhe de trabalho.»
«Eu deixei-a de cansada.»
«Ele chamou-me de analfabeto.»
O que não significa que não seja perfeitamente correcto utilizar a preposição de a seguir aos mesmoS verbos, quando se quer dizer algo diferente:
«Eu dei-lhe de comer.»
«Eu deixei-a de repente.»
«Ele chamou-me de dentro de casa.»
Já agora, as coisas também não se devem «qualificar de», devem «qualificar-se como». Assim como não se devem «descrever de», devem «descrever-se como» (e «classificar-se como», etc.).
A preposição de é muitas vezes usada para "safar" frases quando o autor não conhece a forma mais correcta ou se enganou no início da construção. Por exemplo, se alguém quer dizer «ele chamou-lhe pai» mas se engana e começa por «ele chamou-o...», a seguir resta-lhe enfiar ali um de para afrase parecer menos estranha. Esta situação é agravada pelo facto de, no Português do Brasil (que muitos portugueses consomem através das telenovelas), praticamente não se utilizar a conjugação dos verbos com -lhe, substituindo-a (incorrectamente, do ponto de vista europeu) por -o, -a, ele ou ela. E, mais uma vez, usa-se o de para disfarçar o erro (ex., «ela chamou-lhe pai» -> «ela chamou [-o / ele] de pai»).
Esta capacidade do de de servir como «preposição universal» ou «serviço de desempanagem sintáctica» pode ser considerada útil («chamou-o de pai» é menos horrível que «chamou-o pai»), mas isso não significa que esteja correcta, nem que a sua utilização não influencie o significado da frase.
Afinal, existe uma diferença entre alguém chamar-me «de Avô» (isto é, chamar-me a partir da freguesia de Avô, em Oliveira do Hospital) ou chamar-me «Avô» (isto é, referir-se a mim — ou qualificar-me — como avô).
Ou, para usar um exemplo menos peculiar, existe uma diferença entre alguém «chamar-me de baixo» (isto é, chamar-me a partir de um sítio que fica mais abaixo) e «chamar-me baixo» (qualificar-me como baixo). A preposição de não «rege o verbo chamar» quando este é «utilizado com o sentido dequalificar». Antes pelo contrário; indica que o que se segue descreve a circunstância em que se chamou, e não o nome que se chamou.
Uma consulta a textos de autores portugueses (Eça, Camilo, Saramago, etc.) revelará uma total ausência de “chamar des”. O Eça era realmente chamado de Queiroz... porque o "de" fazia parte do nome.
Miguel Fernandes
Lisboa
Portugal»
A diferença entre persuadir e convencer
Tenho ouvido de algumas pessoas que há diferença entre persuadir e convencer, e que esta diferença seria, em síntese, que ao convencer há a aceitação do convencido. No caso da persuasão, haveria uma imposição, ou seja, o persuadido não teria outra alternativa senão aceitar.
Esta diferenciação tem algum embasamento?
A regência de ansioso
Deverei dizer «estou ansiosa que chegue a encomenda» ou «estou ansiosa por que chegue a encomenda»? Poderão indicar-me também qual a regra que sustentará a V/ resposta? Antecipadamente grata.
Aceito(a) e aceite
O particípio passado irregular aceito(a), do verbo aceitar, é alternativa correcta ao comummente ouvido e lido aceite? Segundo creio saber, por exemplo, a frase «A proposta foi aceite» está correcta; mas será que «A proposta foi aceita» ou «O requerimento foi aceito» estão igualmente correctas?
Plural de grão
É correcto o uso de "grães" como plural de grão ?
O feminino de bispo, gamo e pardal
Qual o feminino de bispo, gamo e pardal?
O significado de per se
Qual o significado da palavra "per si"?
