DÚVIDAS

Estilo e voz passiva
Tenho notado um aumento no uso de construções passivas ou impessoais em comunicações formais, especialmente em contextos administrativos ou institucionais. Exemplos: – «Relativamente ao assunto XXX, questiona-se o motivo de serem comunicados zero incidentes», por uma Câmara Municipal; ou – «Mais se refere que do email do senhor condómino não se entende que ponto é que pretende ver esclarecido», por uma empresa gestora de condomínios. Este tipo de formulação parece-me uma coisa recente que não existia há alguns anos. As minhas dúvidas são: 1) Existe alguma razão gramatical, estilística ou até institucional para esta preferência por estruturas passivas ou impessoais? 2) Trata-se de uma tendência recente na língua portuguesa (de Portugal)? 3) Há vantagens específicas em termos de tom, neutralidade ou responsabilidade ao usar este tipo de construção? Agradeço desde já qualquer esclarecimento!
Estrutura clivada: «é a data da morte de um poeta que...»
Na frase «Em Portugal, é a data da morte de um poeta que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante.» (in Discurso de Lídia Jorge no dia 10 de junho de 2025), qual será a função sintática desempenhada pelo segmento "que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante"? Poder-se-á considerar: a) modificador restritivo do nome?; b) ou o "que" faz parte de uma expressão enfática (tendo em conta a forma verbal "é") e, nesse caso, seria o sujeito seria -"a data da morte de um poeta"-, e o predicado - "é (...) que protagoniza o nosso momento...".? Agradeço, desde já, a V/ colaboração!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa