DÚVIDAS

Sobre a divisão silábica ensinada às crianças
No 1.º ano do 1.º ciclo, como se ensina às crianças a divisão silábica de, por exemplo, carro, sossegado, pêssego, etc.? De acordo com o manual Pasta Mágica, a divisão silábica surge como aprendi na antiga 1.ª classe: guitarra — gui/ta/rra. Contudo, a professora do meu filho faz exercícios em que considera esta divisão errada, pois separa as palavras da seguinte forma: gui/tar/ra; car/ro; sos/se/ga/do; pês/se/go. Não estará a professora a fazer confusão com translineação? Creio que a um nível de 1.º ano do 1.º ciclo as crianças aprendem a noção de sílaba em termos fonéticos e não em termos gráficos (aqui, sim, será a translineação). O importante neste nível de aprendizagem é que a criança tenha a noção de separação baseada no som. Será que eu e as pessoas da minha geração aprendemos mal e o manual escolhido pelo colégio onde está o meu filho está errado? Será que algo mudou na nossa língua em termos de divisão silábica e não dei por isso? E aqui reforço que, no meu tempo de estudante, aprendi que uma sílaba é um fonema (som) ou um conjunto de fonemas (sons) pronunciado numa só emissão de voz. Assim, a palavra guitarra, dividida silabicamente, será gui/ta/RRA, pois os dois rr são um mesmo fonema (som). Será que até na minha formação universitária nas cadeiras de linguística me enganaram?! A noção de translineação, salvo erro, será iniciada ou em fins do 2.º ano ou no 3.º ano do 1.º ciclo, e aí, sim, a palavra será separada gui/tar/ra, mas já não será em termos fonéticos mas gráficos. Esclareçam-me, por favor, esta dúvida.
«Por trás», «por detrás», «atrás de»
Sabem esclarecer-me, por favor, sobre a seguinte formulação? O correto será «por trás» ou «por detrás»? «Por trás de cada projeto concluído, há o trabalho de uma grande equipa.» «Por detrás de cada projeto concluído, há o trabalho de uma grande equipa.» Não falamos de uma localização física, pelo que não consigo encontrar uma resposta clara. Aproveito para perguntar o seguinte: seria correto escrever «Atrás de cada projeto concluído, há o trabalho de uma grande equipa»?
Porquê «círculo vicioso»,
e não «"ciclo" vicioso»
Atendendo ao texto seguinte, agradeço os vossos comentários sobre o acerto/erro das expressões círculo vicioso/ciclo vicioso. Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (2006) Círculo (geometria) =< Porção de plano limitada por uma circunferência. Circunferência (geometria) =< Limite exterior do círculo; Curva plana fechada cujos pontos são equidistantes do centro; Ciclo (física) =< Conjunto de transformações por que pode passar um sistema material que, partindo de um dado estado inicial, volta ao mesmo estado. Vicioso =< Que tem vícios. Vício =< Defeito pelo qual uma pessoa ou uma coisa se afasta do tipo considerado normal, ficando inapto a cumprir um determinado fim. Notas ===== 1) Um círculo é um espaço geométrico num plano (a duas dimensões, portanto). 2) Uma circunferência é uma linha imaginária que delimita o círculo. 3) Um ciclo é um conjunto finito de acções, acontecimentos ou transformações, passíveis de repetição (e repetidas dentro do ciclo pela mesma ordem inicial). 4) Um vício é uma repetição não intencional, não natural, não programada, de acções, acontecimentos ou transformações que teimam em permanecer ao longo do tempo. 5) Um ciclo vicioso é a repetição não intencional, não natural e não programada (mas viciada) de um ciclo. 6) Um ciclo não tem nada a ver com um círculo; as acções, os acontecimentos ou as transformações não são circulares, mas, sim, ordenadas e repetidas (dentro do ciclo) pela mesma ordem inicial. Quando se chama círculo vicioso a um ciclo vicioso está-se a associar (erradamente) o ciclo a uma circunferência, que por definição é viciosa, no sentido de que não tem princípio nem fim. E por analogia ortográfica (que não semântica) entre os dois termos ciclo e círculo o erro vai persistindo. Viciosamente...
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