DÚVIDAS

Upcycling = «reutilização criativa»
Começa a surgir, cada vez mais, o verbo to upcycle (e os deverbais upcycling e upcycled) que, segundo o Cambridge Advanced Learner's Dictionary & Thesaurus (© Cambridge University Press), significa «to make new furniture, objects, etc. out of old or used things or waste material» (sendo principalmente este último traço, a reutilização de "resíduos/subprodutos" para algo artístico, aquilo que diferencia este conceito do de reciclar). Este neologismo é traduzido, em espanhol, como suprarreciclar (e, respetivamente, suprarreciclaje e suprarreciclado). Em português, também poderia ser adequada a tradução de to upcycle/upcycling/upcycled como “suprarreciclar”/“suprarreciclagem”/“suprarreciclado”, respetivamente? Agradeço, desde já, a vossa resposta.
«Fazer dinheiro», «fazer erros», «fazer música» e «fazer passeio»
Alfredo Gomes, Júlio Nogueira, Luiz A. P. Victoria, entre outros gramáticos, consideram as seguintes expressões como galicismos sintáticos:«fazer dinheiro» (no sentido de «realizar, de conseguir dinheiro»); «fazer erros»(por «cometer erros»); «fazer música» ( por «compor música») ;«fazer passeio» (por passear ou «empreender um passeio»). Gostaria de sabe se essas expressões já são aprovadas pela gramática normativa, já que são usadas com frequência, inclusive por grandes escritores contemporâneos. Grato pela resposta.
O uso e o significado do galicismo plafom
Recebi uma mensagem do meu fornecedor de comunicações a dizer que esgotei o meu plafond de Internet. Não querendo entrar na discussão sobre a necessidade de usar um estrangeirismo para um conceito que tem vários equivalentes em português, a minha dúvida está em se um plafond se esgota. Sendo um plafond, literalmente, um tecto[1], a meu ver é um nível que se atinge, não um volume que se esgota. Estou certo? Muito obrigado.   [1 O consulente escreve tecto, seguindo a ortografia que esteve plenamente em vigor até 2009 em Portugal. No quadro do Acordo Ortográfico de 1990, escreve-se teto.]
O anglicismo semântico «o racional de alguma coisa»
Atualmente, utiliza-se frequentemente a palavra racional no mesmo sentido que se atribui em inglês a rationale. Ou seja, como um conjunto de razões ou argumentos que constituem a base lógica de uma ação ou convicção (exemplo: «não entendo o racional da tua decisão»). No entanto, esta utilização de racional como nome (e não como adjetivo) não parece ser legitimada por nenhum dicionário. Com efeito, racional, como nome, apenas se encontra dicionarizado no sentido de «ser pensante». Podemos admitir a utilização de racional daquela forma, ou trata-se de uma importação abusiva do Inglês?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa