Acordo Ortográfico // Controvérsias Valorizar o Acordo Ortográfico Um artigo-esclarecimento do secretário de Estado da Cultura português, depois das suas declarações à TVI 24, admitindo «melhorias pontuais» ao Acordo Ortográfico. Publicado no semanário Expresso de 3/03/2012. É bom quando isto acontece: o país discute a sua Língua. Estamos pouco habituados a fazê-lo. Mesmo quando se trata apenas da ortografia, o debate revela que os portugueses estão disponíveis para que um tema desta natureza marque a “agenda política corrente”. Francisco José Viegas · 7 de março de 2012 · 4K
Antologia «Falemos português brando e sonoro» (grafia original) Nós prezamos tão pouco a nossa língua, Que tão sómente as outras aprendemos, Em desar da nativa; e a ser-nos dado, Na francesa escrevêramos, faláramos, Como já na espanhola, por lisonja E por louca vaidade, compusemos! [...] Falemos português brando e sonoro A portugueses que entender-nos cabe. E se espertos me argúem os peraltas Que as riquezas vocais que assim pretendo Introduzir, empecem à clareza Da língua, e que o vulgar dos portugueses Não pode súbito abranger o senso Das vozes clássicas, remotas do uso (...) Filinto Elísio · 4 de março de 2012 · 6K
Controvérsias // Funções sintáticas: sujeito e complemento direto Tirania = sujeito Na frase «Não se embarca tirania neste batel divinal», o termo tirania é o sujeito. Trata-se da realização da voz passiva em português com a partícula apassivante se. No Dicionário Terminológico, é referido o emprego da partícula se como «marcador de uma estratégia de passivização (valor passivo – ocorrendo exclusivamente na terceira pessoa)», sendo dado o seguinte exemplo: «Dizem-se coisas estranhas neste país.» Maria Regina Rocha · 2 de março de 2012 · 4K
Controvérsias // Funções sintáticas: sujeito e complemento direto O se só pode ser sujeito em orações reduzidas [Sobre a reposta de Sandra Duarte Tavares, A função sintática de tirania:] Não há justificação nenhuma para imaginar que, na frase «não se embarca tirania neste batel divinal», «tirania» seja complemento directo. O «se» só pode ser sujeito em orações reduzidas. Bem sei que há uma gramática de referência que autoriza tal interpretação. Mas… aliquando dormitat Homerus. Virgílio Dias · 2 de março de 2012 · 5K
Controvérsias // Funções sintáticas: sujeito e complemento direto A função sintática de tirania II A propósito desta controvérsia [sobre a função sintática da palavra tirania na frase de Gil Vicente «Não se embarca tirania neste batel»] mantenho-me firme na minha convicção de que estamos perante um caso de ambiguidade entre a função de sujeito e a de complemento direto, dependendo da interpretação do se. Os argumentos aduzidos por Maria Regina Rocha têm muita validade e eu não discordo de nenhum deles. Mas… Se os analisarmos com atenção, todos os exemplos dados estão no plural: Sandra Duarte Tavares · 2 de março de 2012 · 4K
Controvérsias // Funções sintáticas: sujeito e complemento direto A função sintática de tirania: sujeito e/ou complemento direto? A consulente Sofia Carreira perguntou ao Ciberdúvidas: «Na frase de Gil Vicente "Não se embarca tirania neste batel divinal», a palavra tirania parece-me óbvio ser um complemento direto. Mas há quem defenda que se trata do sujeito (que eu consideraria nulo indeterminado). Será que nos poderiam esclarecer?» 2 de março de 2012 · 6K
O nosso idioma Dois símbolos «Parelha de tendência do povo rude para considerar a sua língua como a única de gente, existe nele uma outra, contraditória com esta: é a facilidade infantil com que o povo esquece a própria língua, mal entra em contacto com outra, e logo passa a aprender e a estimar esta com prejuízo da sua. [...] Um deles representa a tendência purista exagerada e fechada, desejosa de fazer voltar a linguagem a modelos antigos e já mortos, tratando-a como se ela fosse uma língua morta – a única língua de gente, digna de ser embalsamada, mumificada [...]. O outro, ao contrário, dá-nos o esquema do homem que a falar, e sobretudo a escrever, se deixa desnacionalizar facilmente, porque não pôde ou não quis aprender bem a sua língua, e por isso a não ama nem respeita.» Texto que reflete sobre a atitude dos portugueses perante a sua língua. Agostinho de Campos · 1 de março de 2012 · 10K
Acordo Ortográfico // Controvérsias O impossível Acordo Na discussão do Acordo Ortográfico, além dos termos de uma estéril querela que se fica por questões de princípio, é possível perceber que por mais críticas que tenha suscitado, por mais que tenha sido desautorizado cientificamente, ele resistiu pela sua condição de projeto político. António Guerreiro · 28 de fevereiro de 2012 · 4K
Acordo Ortográfico // Controvérsias Aristocracia ortográfica «Em tema muito específico, com reputados especialistas envolvidos em polémicas violentas, recomenda-se silêncio respeitoso. [...] Esta opção não implica tomada de posição na contenda. Sobre o tema, permaneço perplexo e expectante. [...] No que toca às partes em confronto, vejo erros dos dois lados. Os que tomam o novo Acordo como atentado à cultura nacional esquecem que a nossa escrita não é a de Gil Vicente, nem sequer de Eça. [...] Os que apregoam a nova re... João César das Neves · 27 de fevereiro de 2012 · 3K
Acordo Ortográfico // Controvérsias Nem pró nem contra «[A] regra de acentuar todas as esdrúxulas é de 1911, não existia antes, o que permite relativizar estas questões [à volta do Acordo Ortográfico de 1990], que não são, como muitos pretendem apaixonadamente, de lesa-pátria.» Artigo publicado no jornal Público de 26/02/2012. Fernando Belo · 26 de fevereiro de 2012 · 4K