Antologia // Portugal Lamento para a língua portuguesa não és mais do que as outras, mas és nossa,e crescemos em ti. nem se imaginaque alguma vez uma outra língua possapôr-te incolor, ou inodora, insossa,ser remédio brutal, mera aspirina,ou tirar-nos de vez de alguma fossa,ou dar-nos vida nova e repentina.mas é o teu país que te destroça,o teu próprio país quer-te esquecere a sua condição te contaminae no seu dia a dia te assassina.mostras por ti o que lhe vais fazer:(...) Vasco Graça Moura · 4 de abril de 1997 · 3K
Pelourinho Uma palavra a mais Os relatores e comentadores futebolísticos da rádio e televisão enfrentam, no dia-a-dia profissional, uma tarefa árdua: comunicar o essencial em pouco tempo e poucas palavras. Amadeu José de Freitas, Artur Agostinho e outros, há alguns anos, sabiam ser concisos e rápidos, sem deixar de cultivar uma linguagem chamativa. Eram - Artur Agostinho, felizmente, ainda é - óptimos utilizadores da Língua Portuguesa. Diziam frases simples: «Matateu perdeu a bola»; «Germano ... João Carreira Bom · 4 de abril de 1997 · 3K
Pelourinho // Mau uso da língua nos media Se houvesse mais Claras... Outro atropelo televisivo ao verbo haver Aconteceu com quem e onde menos se esperava... Carlos Marinheiro · 2 de abril de 1997 · 7K
Controvérsias Acerca dos Estados que são membros A propósito da controvérsia acima referida que tem estado a ter lugar neste interessante e já inestimável espaço, gostaria de dizer o seguinte: sou a favor da simplificação da escrita naquilo que possa estar relacionado com uma mais fácil leitura e comunicação (não confundir com ausência de princípios ou regras, sobretudo no que é estrutural). Nomeadamente de um uso mais parcimonioso e menos reverente das maiúsculas. Fernando Cruz · 31 de março de 1997 · 3K
Pelourinho …à /Èspó/ O dr. José Hermano Saraiva, no programa da televisão pública portuguesa "Horizontes da Memória", em 30 de Março, deu novos "horizontes" à pronúncia da abreviatura Expo. Não tanto pelo /èspó/ (em vez de Êispu), já registado entre as diferentes formas como numerosas personalidades pronunciam mal esta «palavra». Mas porque o /Èspó/, na eloquência do dr. Hermano Saraiva, nos lembra o cómico «No!» de D. Bártolo no "Barbeiro de Sevilha". João Carreira Bom · 31 de março de 1997 · 4K
Pelourinho De Kinshasa... Kinshasa é, a par de Tirana, a capital mais ouvida nos noticiários da rádio e TV das últimas semanas. Pelas mesmas (péssimas) razões, comuns como quase sempre acontece no rodopio informativo internacional feito à medida do-quanto-mais-tragédia-mortes-e-tiros-melhor. Iguais no protagonismo mediático, diferentes porém nos favores da pronúncia. Se quem fala de Tirana não diz "Tirrana" mas Tirana, à portuguesa, porque será que, quando se fala de Kinshasa, só se ouve "Kinshaça" (como se, em português... José Mário Costa · 31 de março de 1997 · 3K
Controvérsias Aumentar de Aumentar — Quando este verbo vem seguido de objeto direto (aumentar o capital, aumentar o valor, aumentar o patrimônio) e do quanto houve de aumento, este quanto vem expresso de várias formas: Aumentou a resistência com mais um batalhão — ... os que aumentam de novos cabedais o patrimônio comum. As mesmas variantes de construção podem aparecer em formas passivas: A qual ficou aumentada com mais de dois mil índios — Teve nova edição em 1794, aumentada de mil frases. Napoleão Mendes de Almeida · 27 de março de 1997 · 6K
Controvérsias Aumentar 50% Aumentar de 50% — Não se diga assim. Diga-se «aumentar 50% », sem a prep. de. —Aumentar significa o mesmo que acrescentar, ajuntar, adicionar, e ninguém diz: «acrescentei, adicionei, ajuntei à renda de 50%», mas sim: «acrescentei, adicionei, ajuntei à renda 50%». Rodrigo de Sá Nogueira · 27 de março de 1997 · 5K
Antologia // Brasil O quimbundo é maneiro? * O número crescente de habitantes nas cidades, a alfabetização mais ampla e o envolvimento do território pela mídia eletrônica colocam a língua portuguesa do Brasil diante de novos dilemas. Não se trata da recente querela sobre a unificação ortográfica do Brasil e de Portugal. Na realidade, o embate entre o português d'aquém e d'além-mar rola há muito tempo no interior do nosso próprio país. Na sessão inaugural da Academia Brasileira de Letras, em 1897, Machado... Luiz Felipe de Alencastro · 27 de março de 1997 · 4K
Pelourinho Um verbo «amaldiçoado» É lamentável que um catedrático de Direito seja citado na imprensa por ter conjugado o verbo intervir como se fosse /interver/, mas compreende-se: o ensino em Portugal está como está, e a escrita das leis é o que se pode ver no «Diário da República». Mais decepcionante, no entanto, é que isso também aconteça num jornal desportivo que Carlos Pinhão e outros jornalistas da «velha guarda» transf... João Carreira Bom · 27 de março de 1997 · 3K