O neologismo coquetelaria, ainda a locução «descargo de consciência» e a língua portuguesa como expoente máximo da interculturalidade - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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O neologismo coquetelaria, ainda a locução «descargo de consciência» e a língua portuguesa como expoente máximo da interculturalidade
O neologismo coquetelaria, ainda a locução «descargo de consciência»
e a língua portuguesa como expoente máximo da interculturalidade
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 1K

1. O neologismo coquetelaria – formado de coquetel, aportuguesamento do anglicismo cocktail –, ainda a locução «descargo de consciência», um esclarecimento sobre a construção frásica «é que» e outra à volta  de uma oração subordinada substantiva relativa sem antecedente são quatro de um conjunto das seis novas respostas do consultório, respeitante à presente atualização do Ciberdúvidas1.  

1 Conforme o já exposto anteriormente, o Ciberdúvidas passou a assegurar as suas atualizações temáticas apenas uma vez por semana – agora à terça-feira. Entretanto, sempre que a atualidade ou a relevância informativa o justificar, não deixaremos de o assinalar nos Destaques que vão sendo renovados neste período.   

2. Nos meios de comunicação social portugueses corre uma polémica sobre a designação de um museu temático das navegações do país, no século XVI, anunciado pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina: Museu das Descobertas versus Museu da Interculturalidade 2

2 Cf.  Celebrar os Descobrimentos com uma nau para a Ribeira delas + Museu  da  Interculturalidade de Origem Portuguesa, e não Museu das Descobertas + Acerca da criação de um Museus dos Descobrimentos +  A palavra Descobrimentos não está proscrita nem tem peçonha + O esplendor do politicamente idiota + E que tal “Museu da Arrogância Convicta”? + O Museu dos Filetes de Cavala

3. Não entrando nesta querela – sem cabimento num espaço circunscrito às questões da língua portuguesa como é o Ciberdúvidas –, importa lembrar que: 

♦ A língua portuguesa é das línguas mais importantes do mundo, pela dimensão demográfica dos seus falantes (quarta mais falada no mundo e a mais falada no hemisfério sul), mas também pela sua policentralidade global (falada em todos os continentes) e a criação artística e cultural induzida.

♦ Por ser língua oficial de oito países, é propriedade de quem a fala – múltipla, portanto.

♦ As particularidades (lexicais, semânticas, sintáticas e fonéticas) que cada povo lhe imprime não a diminuem; pelo contrário, enriquecem-na. Estas diferenças são particularmente visíveis na literatura.

♦ Expoente máximo da interculturalidade, a língua portuguesa influenciou diversos outros idiomas. Da Índia ao suaíli; do malaio ao indonésio; do bengalês ao japonês e às várias línguas do Ceilão; do tétum de Timor-Leste às línguas bantas da África Austral e aos crioulos de Cabo Verde3Guiné-Bissau ou  Singapura. 

3 Cf. A quarta língua mais falada no mundo vive bem com as outras + Aumenta o número de falantes da língua portuguesa +  «O português é primordial para a afirmação externa» + Diversidade da língua portuguesa + Variedades do português + Variedades do Português Variedades do português no mundo e no Brasil + Variações linguísticas + Variação linguística, uma realidade da nossa línguaVariação linguística – o que é, tipos, características e livros indicados A variação linguística e o papel dos fatores linguísticosA variação linguística no ensino da língua portuguesaVariação SocioculturalNorma e variação + Norma culta e variedades linguísticas + Fatores de adequação linguísticaVariação e Mudança no Português + As variedades de uma língua plural + Tipos e variação linguística

4. Dois registos finais, noticiosos: 

♦ Em 5 de maio, assinala-se o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP, com 180 iniciativas em 57 países.4

4 Vide  Quantas línguas cabem na língua portuguesa? António Guterres diz que o mundo está farto da ditadura da língua única

♦ O lançamento em Lisboa do Desdicionário da Língua Portuguesa, obra do copywriter e jornalista português Luís Leal Miranda, reunindo 218 verbetes com palavras inventadas e glosadas divertidamente por ele próprio, inicialmente no Facebook.