Norma(s) do Brasil, «inovação pedagógica», permacrise, complementos do nome, Vergílio e um atlas da língua
1. As ideias de norma e correção linguística estão sempre muito presentes na atividade do Ciberdúvidas. Além disso, tem sido também preocupação o tema da unidade da língua portuguesa, sem deixar de reconhecer a sua diversidade e o seu pluricentrismo. No muito que se escreveu a propósito Dia Mundial da Língua Portuguesa de 2026, destacam-se dois artigos de opinião da Folha de S. Paulo, sublinhando a forte tendência centrífuga do português do Brasil (ver Notícias). Por um lado, o linguista Caetano Galindo fala do afastamento da variedade brasílica em relação à língua trazida com a colonização, interpretando esse processo como uma "vingancinha" histórica de indígenas, africanos escravizados e populações mestiças. O jornalista Sérgio Rodrigues vai mais longe, considerando que a atual posição do Brasil dentro da lusofonia se tornou insustentável e, portanto, o caminho é o da separação rumo a uma nova língua, o "brasileiro". Não serão estas visões dominantes, pois existem várias vozes contrárias no Brasil, como é o caso da recente publicação de Norma Culta Inculta, do gramático Fernando Pestana, que defende a unidade do português e contesta os critérios adotados em certos meios académicos brasileiros para a definição de norma linguística. Na Montra de Livros, um texto de apresentação dá mais pormenores a respeito desta obra.
Na mesma rubrica, partilha-se o texto que a linguista Maria Antónia Coutinho (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) escreveu para o lançamento da 2.ª edição de Deixis, Tempo e Narração da linguista e professora catedrática jubilada Fernanda Irene Fonseca, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
2. Quando se fala de escolas e de professores, o que se quer dizer com a palavra inovação? Partindo da peça O Clube dos Poetas Mortos, levada à cena, em português, no Teatro da Trindade, em Lisboa, a consultora Inês Gama reflete sobre o tema e adverte: «[A] inovação pedagógica é facilmente confundida com a introdução de recursos como plataformas digitais, aplicações com exercícios interativos ou, mais recentemente, ferramentas de inteligência artificial. [...] A tecnologia, por si só, não transforma a escola, quando muito, limita-se a conferir-lhe uma aparência de modernidade tecnológica.» O texto completo encontra-se na rubrica Ensino.
Outros artigos disponibilizados nos últimos dias: Carla Marques, "Despiciente e despiciendo" (12/05/2026); Dora Nunes Gago, "Perder o verbo" (11/05/2026).
3. É conceito que começou a circular há poucos anos, primeiro, em língua inglesa e depois noutras, incluindo o português. Trata-se do termo permacrise, decalque do inglês permacrisis, que é tópico de uma das 14 respostas postas em linha no Consultório, entre 11 e 15 de maio.
4. Nas rubricas em vídeo do Ciberdúvidas:
– Como distinguir complementos do nome de modificadores do nome? A pergunta, que vem do Agrupamento de Escolas de Condeixa-a-Nova, é esclarecida pela professora Carla Marques esclarece no 61.º episódio de "Ciberdúvidas Vai às Escolas".
– Vergílio é forma tão correta como Virgílio? A consultora Sara Mourato comenta estas duas grafias no 71.º episódio de "Ciberdúvidas Responde".
5. O Atlas Lexicográfico da Língua Portuguesa (ALLP), elaborado por uma equipa coordenada pela linguista Ana Salgado (Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa), é tema comum a Língua de Todos e Páginas de Português, programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública de Portugal. Mais informação na página principal deste portal e nas Notícias.
6. Regista-se com pesar o falecimento da poetisa são-tomense Conceição Lima, autora de O Útero da Casa (2004), A Dolorosa Raiz do Micondó (2006), O País de Akendenguê (2011), Quando Florirem Salambás no Tecto do Pico (2015) ou O Mundo Visto do Meio (2023). Mais informação aqui.
