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Dia Mundial da Língua Portuguesa reacende debate sobre português brasileiro

«Vingança de escravizado» e «papel insustentável do Brasil na lusofonia»

O debate à volta do português do Brasil voltou à ordem do dia com a celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, em 5 de maio de 2026, com comentários que sublinham a personalidade da variedade brasileira e até encaram a sua afirmação como língua autónoma, já fora da lusofonia.

No jornal Folha de S. Paulo, dois textos distintos propuseram o questionamento da relação histórica do país com a língua herdada de Portugal, criticando formas de hierarquização cultural associadas ao idioma.

No artigo “Presente de português”, publicado em 5 de maio, Caetano Galindo, autor de Latim em Pó, assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa defendendo que o português falado no Brasil é resultado de um longo processo de transformação conduzido por indígenas, africanos escravizados e populações mestiças. O autor sustenta que a variante brasileira deixou há muito de ser mera extensão do modelo europeu. Em tom irónico, o cronista fala mesmo numa espécie de “vingacinha” histórica: a antiga colónia teria recriado a língua do colonizador, tornando-se hoje o principal centro demográfico e cultural do português no mundo.

Já em “Português, língua que nos (p)une”, publicado no dia seguinte, o jornalista Sérgio Rodrigues aborda a língua como instrumento de exclusão social e critica a obsessão normativa que transforma erros gramaticais em sinais de inferioridade cultural. O escritor argumenta ainda que a atual posição do Brasil dentro da lusofonia se tornou insustentável, uma vez que persiste em Portugal uma atitude de condescendência em relação ao português brasileiro e às suas particularidades. Segundo a reflexão apresentada no texto, a ideia de uma centralidade normativa portuguesa já não corresponde ao peso real do Brasil no universo da língua portuguesa.

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa