Sara Mourato - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Sara Mourato
Sara Mourato
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Licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e mestre em Língua e Cultura Portuguesa – PLE/PL2. Leitora no ISCTE.

 
Textos publicados pela autora

O verbo usa-se nos dois casos:

(1) «Faz dez anos.» (construção típica do Brasil)

(2) «No Alentejo, faz muito calor.» (usa-se em ambas as variedades)

Há várias respostas no Ciberdúvidas, umas mais conservadoras e outras mais atualizadas.

Segundo o Portal da Língua Portuguesa e o dicionário Michaelis, temos protónes ou prótons como plural de próton, nêutrones ou nêutrons como plural de nêutron, e elétrones como plural de elétron.

Note-se que estes termos, utlizados nos estudos da física, com a grafia apresentada pelo consulente, são comuns em português do Brasil. No entanto, em português de Portugal a grafia que prevalece é distinta e, por isso, também o seu plural é distinto: com efeito, protão pluraliza como protões; neutrão tem o plural neutrões; e a eletrão corresponde eletrões como plural. 

Quando nos dirigimos a alguém usando o adjetivo ilustre, queremos com isto distinguir a pessoa por ser «célebre, notável, famosa, nobre, distinta» ou então para exprimirmos consideração pela pessoa a quem nos dirigimos ou de quem falamos. No entanto, na expressão «ilustre desconhecido», não há como classificar o desconhecido com os adjetivos acima enumerados, porque não se classifica quem desconhecemos. Ainda assim a expressão está correta e é usada com sentido irónico. Veja-se:

(1) «Ninguém o conhecia na cidade. Era um ilustre desconhecido»;

(2) «Quando começou a escrever, Saramago era um ilustre desconhecido no meio literário.»

(3) «Chegou à equipa como um ilustre desconhecido, mas depressa se afirmou e tornou-se um craque». 

 

Em nome do Ciberdúvidas, agradecemos as palavras iniciais.

Com a expressão «parte da manhã», podem empregar-se ambas as preposições, em ou de, sem alteração do significado:  «eu vou ao cinema na parte da manhã»;  «eu vou ao cinema da parte da manhã». Embora a preposição em se associe de modo mais natural com parte – atendendo a que  este nome tem sentido locativo e se diz, por exemplo, «na segunda parte do jogo» (cf. dicionário da Academia das Ciências de Lisboa) –, é possível a preposição de, que ocorre nas expressões temporais «de manhã» e «de tarde».

Pode também achar-se discutível o uso de «na/da parte da manhã», por esta configurar uma redundância. Com efeito, está-lhe subjacente a noção de «parte do dia», pelo que constitui a elipse de uma construção mais extensa «a parte do dia que é a manhã», em que manhã já significa «(primeira) parte do dia» (entendendo dia como «período em que há luz solar»). Sendo assim, embora seja corrente dizer-se «vou ao médico na parte da manhã», revela-se mais económica a frase «vou ao médico de manhã».

De qualquer modo, é uma expressão de uso corrente em Portugal no registo informal, principalmente na oralidade. Num registo formal, embora não pareça haver doutrina prescritiva sobre este caso, será recomendável a formulação mais simples – «de manhã», «de tarde» –, mas há situações em que a locução mais extensa se justifica. Por exemplo, quando se fala de horários de um consultório ou de uma secretaria é correto dizer-se que «às quarta-feiras, só há consultas na/da parte da manhã», uma vez que se deixa implícito que tal serviço tem dois períodos de funcionamento, a parte da manhã e a parte da tarde.

 

N.E. (22/10/2019) – A expressão «na parte da manh...

O verbo humildar está atestado com o significado de «tornar-se ou mostrar-se humilde; humilhar-se; submeter-se ou sujeitar-se» (dicionário de língua portuguesa da Infopédia). Este verbo, que é reflexivo, ou seja, necessita dos pronomes reflexivos, tem uso pouco corrente, sendo mais corrente o verbo humilhar-se e a expressão «ser humilde»1. Veja-se, por exemplo, que uma frase como «o senhor tem de se humildar» pode afigurar-se forçada, pelo que, em alternativa, se dirá «o senhor tem de ser humilde».

 

1 No Corpus do Português (de Mark Davies) não se conta nenhuma ocorrência deste verbo, ausência sugestiva da raridade deste verbo. É certo que os dicionários o registam, mas fazem-no anotando o seu emprego restrito. Refira-se, por exemplo, o Dicionário Houaiss, que assinala que humildar é pouco usado.