Sara Mourato - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Sara Mourato
Sara Mourato
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Licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e mestre em Língua e Cultura Portuguesa – PLE/PL2. Com pós-graduação em Edição de Texto, trabalha na área da revisão de texto. Exerce funções como leitora no ISCTE.

 
Textos publicados pela autora

Mastodinia – «dor nas glândulas mamárias»  é um substantivo feminino não acentuado. Este substantivo é paroxítono (ou grave), ou seja, aquele cujo acento tónico recai na penúltima sílaba. Assim, e apesar de não ser acentuado, a silaba tónica é -ni – mastodinia – e não -di, como sugere na questão  mastodinia.

Acrescente-se que mastodinia é forma registada há muitas décadas em vocabulários ortográficos, como por exemplo, na edição de 1940 do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia das Ciências de Lisboa. É termo formado por elementos de origem grega: mast(o)-, «mama, seio», e -odinia, «situação de dor» (cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa). Tem como termos sinónimos mastalgia e mamalgia (cf. Dicionário Infopédia de Termos Médicos).

 

Vejamos a resposta sem omitir «as ameixas»: 

1. «Come as ameixas tu»;

2. «Comei as ameixas vós».

Nas duas respostas percebemos que o verbo comer, conjugado no imperativo, na segunda pessoa do singular e na segunda pessoa do plural, termina em -e (1) e em -ei (2). Ora, estas terminações não preveem nenhum tratamento especifico quando optamos por utilizar o pronome do complemento direto, assim, o correto será: «come-as tu» e «comei-as vós». 

Para agregarmos o  ao pronome do complemento direto o verbo teria de terminar ou em -s ou em -r, como por exemplo:

3. «Tu comes as ameixas» – «Tu come-las»;

4. «Vós comeis as ameixas» – «Vós comei-las»; 

5. «Tu vais comer as ameixas» – «Tu vais comê-las». 

Os verbos contrastar e comparar são efetivamente sinónimos quando ambos relacionam duas ou mais coisas para procurar as relações de dissemelhança ou de disparidade que entre elas existam. Veja-se os exemplos:

1. «Comparou uma declaração com a outra»;

2. «Contrastou uma declaração com a outra». 

Os termos da linguagem médica levantam problemas que a codificação ortográfica nem sempre consegue resolver. Será este um caso.

Muitos termos são compostos morfológicos, isto é, formados por radicais geralmente de origem grega, e escrevem-se habitualmente sem hífen, constituindo uma única palavra gráfica. A palavra em questão tem a forma geniturinário há já bastante tempo (pelo menos, desde 1940, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa), uma grafia que o acordo ortográfico vigente não abrange nem altera.

Quanto a genito-urinário não é uma forma impossível, porque representa a coordenação de dois adjetivos: genital e urinário. Contudo, também são antigos outros termos em que genito- aparece agregado ao elemento seguinte, sem hífen – genitocrural, genitofemoral –, e sendo assim, parece não haver razão para rejeitar geniturinário nem para favorecer genito-urinário.

A expressão «a todos os níveis» em «a crise fez com que Portugal se atrasasse a todos os níveis» é completamente aceite. A mesma encontra-se registada, por exemplo, no Dicionário Estrutural, Estilístico e Sintático, de Énio Ramalho, com as seguintes  abonações: «A semana em curso tem ainda grandes novidades a apresentar… a todos os níveis de ação política e militar» (em todos os escalões);  «Houve reuniões a todos os níveis para tratar do problema da escolha dos novos comandos» (em todos os escalões hierárquicos); e «As manobras para a conquistado poder a todos os níveis.». Note-se que a expressão pode também ser introduzida pela preposição em: «A crise fez com que Portugal se atrasasse em todos os níveis.»

De ressaltar ainda que, ao contrário do que se afirma na pergunta, a expressão «ao nível de», na aceção de «no âmbito de»/«no domínio de», «à mesma altura» e «no mesmo plano de igualdade», e seguida de expressão nominal, tem uso aceite e atestado em Portugal (cf. dicionário da Academia das Ciências de Lisboa). No entanto, a expressão é vista com certa reserva no Brasil, cujos gramáticos normativos rejeitam geralmente uma forma parecida, «a nível de», por se tratar de modismo em lugar das preposições de, como e no (cf. Maria Helena Moura Neves, Guia de Uso do Português, UNESP, 2...