DÚVIDAS

O verbo comboiar
Como o verbo comboiar deriva de comboio (uma sequência de veículos alinhados que vão para o mesmo destino), a minha dúvida surge quanto ao conceito literário/figurativo... Se pretendo descrever a imagem de uma fila indiana ou de um grupo de pessoas que se move organizadamente na mesma direção, poderia empregar essa forma verbal no seguinte exemplo? «Os passageiros deslocaram-se ao tapete rolante para recolher as respetivas bagagens e comboiaram para o interior do aeroporto.»
Predicativo: integrante ou acessório? (Brasil)
Afinal, o predicativo é um termo integrante ou acessório? Pergunto porque, ao ensinar os termos da oração, fico sempre em dúvida sobre onde encaixar o predicativo. Em casos como «A internet é de Carlos», ainda que expresse posse, o predicativo é indispensável e se faz presente. Porém, há construções como «Ana ganhou um livro antigo», em que a classificação de «antigo» como predicativo chega a ser duvidosa. Afinal, trata-se de predicativo ou de adjunto adnominal, tendo em vista que o verbo não exige, necessariamente, a atribuição de uma característica ao seu objeto? Por exemplo: «O juiz julgou o réu inocente.» Um caso cristalino de predicativo do objeto, certo? Nessa construção, «inocente» atribui uma característica ao objeto «o réu», integrando a estrutura do predicado. Sendo assim, o predicativo seria um termo integrante? Contudo, no exemplo do livro, há divergências, tendo em vista a linha tênue que, em determinadas construções, distingue o predicativo do adjunto adnominal. Minha dúvida é: a classificação do predicativo como termo integrante depende de sua relação com a estrutura argumental do verbo? Em outras palavras, a distinção entre predicativo e adjunto adnominal é determinante para definir se o predicativo é um termo integrante ou acessório? Poderiam me ajudar, por gentileza? Obrigada.
Discurso direto, ponto de exclamação e minúsculas
Tenho uma dúvida relativa à frase: (1) – Não me apetece, Lucas! – Balbuciou Isabel com cara de enjoada. – Ainda tenho o azedume do pequeno-almoço entranhado na garganta. Com um verbo de fala integrado, o Google diz que não se deve colocar maiúscula após exclamação num diálogo. Embora a lógica pareça indicar que sim (porque há um ponto de exclamação), o Google diz que as regras de edição e pontuação em Portugal determinam o contrário, ou seja, que balbuciou tem de começar com letra minúscula. Segundo essa revisão, o verbo balbuciar é um verbo de fala (dicendi). Portanto, sintaticamente, a frase (1) («– Não me apetece, Lucas! – balbuciou Isabel com cara de enjoada.») é o objeto direto do verbo balbuciar. Ou seja, a frase inteira funciona como um único bloco: «Isabel balbuciou enjoada.» A minha dúvida pode até ser parva, mas como não sou portuguesa nativa, gostaria que me aclarassem essa regra. Afinal, após um sinal de exclamação ou interrogação, a frase seguinte não começa com maiúscula? Ou a normativa da minúscula só contempla os diálogos? Desde já, aproveito para agradecer o vosso empenho tão altruísta em prol da língua portuguesa. Votos de um excelente dia!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa