DÚVIDAS

O sufixo -dor

Qual é o sufixo da palavras trabalhador?

É -dor ou -ador?

Resposta

O sufixo é -dor, e não "ador".

Em trabalhador, que constitui um nome de agente, a vogal a da sequência -ador faz parte da base de derivação, que é trabalha-, tema de trabalhar.

O mesmo acontece com adjetivos e nomes derivados de infinitivos da 2.ª conjugação, como amortecedor, regedor, vendedor, em cuja análise se considera que o sufixo não é "-edor", mas, sim, -dor, visto que a vogal precedente -e-, faz parte da base de derivação (os temas amortece-, rege-, vende-). O mesmo se diga acerca de nomes que derivam de verbos da 3.ª conjugação: consumidor (< consumi- + -dor), seguidor (< segui- + -dor) ou transferidor (transferi- + -dor).

É, portanto, a forma -dor – e não "-ador" nem "-edor" nem "-idor" –, que tem entrada própria nos dicionários, como é o caso do dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, já que as vogais -a-, -e- e -i- fazem parte do tema do infinitivo dos verbos acima mencionados. Atribuir uma única forma ao sufixo revela-se, pois, funcionalmente mais económico do que supor que existem três formas diferentes.

Importa, não obstante, referir que a análise morfológica de trabalhador aqui apresentada não é consensual. Na verdade, pelo menos, em alguns dicionários e gramáticas do Brasil1, também se aceita que, em palavras como trabalhador, por exemplo, caçador, governador ou tratador, todos nomes e adjetivos que denotam um agente,  a base de derivação é o radical do particípio passado, ou seja, trabalhad-, de trabalhado, governad-, de governar etc. A estes radicais associa-se depois o sufixo com a forma -or.

Em Portugal, prevalece a análise destes nomes de agente como palavras derivadas sufixalmente de uma base correspondente ao tema do infinitivo.

1 No Dicionário Houaiss (versão em linha, consultada em 01/11/2026), na nota sobre a origem da entrada trabalhador, indica-se que se trata de «adjetivo de trabalhado + -or», cuja base de derivação é dada pelo particípio passado (trabalhado) e cujo o sufixo derivacional é -or, e não -dor. Esta análise converge com a de Fernando Pestana, na sua Gramática para Concursos Públicos (2013, p. 231/1611), onde, entre os sufixos derivacionais formadores de substantivos e adjetivos de verbos, se conta o sufixo -or e se apresenta, como substantivo que denota agente, a palavra trabalhadora, permitindo assim inferir que a análise é a mesma que a proposta pelo Dicionário Houaiss. Esta perspetiva não está generalizada na gramaticografia do Brasil, porque Evanildo Bechara, na Moderna Gramática Portuguesa (2019, 493/940), refere -dor, a par de -or, como sufixos que formam os nomes de agente narrador e cantor, os quais se analisam como derivados de bases facultadas não pelo particípio passado, mas pelo infinitivo, seja pelo tema (canta + dor) ou pelo radical (cant- + -or). 

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