Para referir Vila Nova, é comum a abreviatura V. N., embora V.ª N.ª seja igualmente possível.
Note-se, porém, que não há um corpo de regras explícitas para a escrita de abreviaturas, pelo que não há forma estável para a abreviatura de Vila Nova ou de qualquer outra expressão usada na toponímia1.
De qualquer modo, registe-se que, já em 1940, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia das Ciências de Lisboa, definia V. ou V.ª como abreviaturas de Vila, elemento toponímico. Entre fontes mais recentes que elenquem abreviaturas, conta-se a lista de reduções da Academia Brasileira de Letras, na qual se indica que vila se abrevia por V. e v., depreendendo-se que a primeira representa uso como nome próprio e a segunda o nome comum. Quanto a novo/nova, embora não tenha sido possível identificar fontes que facultem a respetiva abreviatura, aceite-se que N. ou N.ª são abreviaturas adequadas.
Deste modo, para topónimos como Vila Nova de Gaia ou Vila Nova de Milfontes, e outros em que figure a expressão descritiva «Vila Nova», afigura-se especialmente adequada a abreviatura V. N. (V. N. de Gaia e V. N. de Milfontes), que retira legitimidade do facto de constituir uma abreviatura recorrente2, por comparação com V.ª N.ª, que não foi possível aqui encontrar atestada claramente.
1 Vem a propósito citar uma tese de doutoramento recente (Agostinho Salgueiro, Estandardização da Toponímia do Português, Língua Pluricêntrica: o Caso de Portugal, Universidade de Coimbra, 2026), em que se propõe a uniformização de normas para a escrita de nomes geográficos, incluindo as abreviaturas, e se recomenda o seguinte em relação a dissílabos como é o caso de vila e nova (pp. 254/255):
«(viii) Perante constituintes dissilábicos, é tendencialmente grafada a primeira letra do elemento a abreviar, seguida:
a. da última sílaba desse elemento, sobrescrita e antecedida de ponto (e.g., Paço de Arcos → P.ço de Arcos; Praça da Alegria → P.ça da Alegria); ou
b. da sílaba final não sobrescrita, com ponto final (e.g., Santa Maria da Feira → Sta. Maria da Feira); ou
c. da última consoante desse elemento, não sobrescrita e com ponto final (e.g., Parque das Nações → Pq. das Nações; Rua Doutor Manuel de Arriaga → Rua Dr. Manuel de Arriaga).
Excecionalmente, [...] é grafada a primeira sílaba do elemento a abreviar, seguida:
d. da primeira letra da segunda sílaba (e.g., Ramal de Beja → Ram. de Beja)
Também à semelhança do que se verifica com os constituintes monossilábicos, é ainda possível, sem ser ideal, grafar:
e. somente a primeira letra do elemento que se abrevia, em algumas formas com origem no léxico comum e uso toponímico recorrente (e.g., Rua da Prata → R. da Prata; Vila Fria → V. Fria).
Procurando uniformizar a abreviação de constituintes toponímicos dissilábicos, a opção (a) comporta o melhor equilíbrio entre transparência composicional e economia de espaço. [...].»
É, portanto, atendendo ao critério e. que se aceita V. por constituir abreviatura recorrente, e, pela mesma razão, V. N. é igualmente aceitável.
2 Ver o que se diz sobre o critério da recorrência na nota 1.