DÚVIDAS

«Para eu» e «para mim»
Numa prova, colocam a seguinte questão: «Assinale a alternativa em que o pronome pessoal de primeira pessoa está empregado conforme a norma padrão escrita, como em "...provando que eu era útil para eles e para mim" (linha 26).» A) A semelhança entre eu e ele era desconcertante. B) Era difícil para eu negar qualquer ajuda aos meus. C) As pessoas não vinham até eu para me pedir ajuda. D) A história serviu para eu refletir sobre minha atitude Estou na dúvida, se a alternativas B e D estão corretas. Com base em: B) «Era difícil para eu negar qualquer ajuda aos meus.» O pronome eu deve ser usado quando funciona como sujeito de um verbo no infinitivo. Em «para eu negar», eu é o sujeito de negar; por isso, mim estaria errado. Essa é a mesma lógica de «...para eu refletir...», citada no enunciado D? Desde já agradeço!
«Se..., seria/era/é possível...»
Qual destas opções está correta? 1. Se o curso fosse muito difícil, seria possível que vocês não gostassem de continuar. 2. Se o curso fosse muito difícil, era possível que vocês não gostassem de continuar. 3. Se o curso fosse muito difícil, é possível que vocês não gostassem de continuar. A ideia que tenho é que todas as formas estão corretas, sendo a primeira mais formal e as outras duas mais usadas na língua falada. Contudo, segundo a gramática, expressões impessoais como «É possível que» usam-se com o conjuntivo presente. Não consegui encontrar exemplos de expressões impessoais no presente do indicativo que usassem depois o conjuntivo imperfeito. Muito obrigada pela ajuda!
O uso de «Viena de Áustria»
Nas minhas conversas com pessoas a partir, talvez, dos cinquenta anos, noto que usam regularmente o termo «Viena da Áustria» referir a capital austríaca. É algo que não vejo dito pela minha própria geração (Z), pois dizem apenas Viena - mas pessoas um pouco mais velhas dizem essa versão extensa. Não usam isto para se referirem a qualquer outra capital, que eu saiba. Suspeito que poderá ser para não causar confusão com Viana, e talvez tenha uma relação com Viana do Castelo, mas é estranho na mesma - especialmente a diferença entre as vogais. Será isto real ou impressão minha, ou talvez um nicho geográfico ou mesmo pessoal, ou algo etário / cultural? Agradeço desde já - ando curioso com esta dúvida há muito tempo. O vosso trabalho é inestimável!
A construção proporcional «quanto mais..., maior...»
Deparei-me com a seguinte construção, e minha curiosidade exacerbada não deixa passar as minúcias: «Quanto mais rico for o seu vocabulário, maior será o poder de convencimento de suas idéias.» O que me chamou atenção foi a construção correlativa «quanto mais…maior», que deveras nunca vi abonada nem descrita em nenhuma fonte. Será que se pode fazer uso dessa construção sem ofender a boa norma culta? Obrigado.
Dois-pontos depois de travessão
Ao consultar algumas gramáticas normativas de língua portuguesa, encontrei orientações a respeito do emprego de sinais de pontuação após o travessão, quando esses sinais seriam necessários mesmo na ausência dele. As explicações que encontrei, porém, referem-se à vírgula e, eventualmente, ao ponto e vírgula. Para ilustrar, Carlos Nougué, na Arte de Escrever Bem na Língua Portuguesa, observou: «Quando haveriam de coincidir um travessão e uma vírgula ou um ponto e vírgula, estes últimos podem ou omitir-se ou, como o preferimos decididamente por razões de clareza, usar-se depois daquele (e unido a ele)». No entanto, fico me perguntando se os dois-pontos também podem ser empregados segundo essa mesma lógica, isto é, se podem aparecer após um travessão quando seriam necessários independentemente da intercalação. Considerem-se os seguintes exemplos: > O problema – até então ignorado –: a ausência de critérios objetivos. > A única alternativa viável – segundo os especialistas consultados –: reformular integralmente o projeto. > A conclusão a que chegamos: não havia outra solução possível. Em todos esses casos, os dois-pontos introduziriam uma especificação, explicação ou conclusão relativa ao segmento anterior, desempenhando, a meu ver, essa função independentemente da intercalação. Se esta fosse eliminada, os dois-pontos permaneceriam: > O problema: a ausência de critérios objetivos. > A única alternativa viável: reformular integralmente o projeto. > A conclusão a que chegamos: não havia outra solução possível. Parece-me, portanto, razoável supor, por analogia, que os dois-pontos também possam ser mantidos após o travessão. Além disso, a supressão do travessão de fechamento poderia comprometer a clareza da construção, por tornar menos evidente o limite da intercalação e dificultar a identificação da estrutura sintática pretendida. Assim, é possível empregar dois-pontos após um travessão em casos como os apresentados? Existe alguma gramática, manual de redação ou outra obra que trate expressamente dessa possibilidade, admitindo-a ou rejeitando-a? Agradeço desde já pelo espaço e pelas eventuais contribuições!
Usos adjetival e participial de morto
A mim foi-me dito que, na frase «o jovem morto havia sido transferido ao hospital», a palavra morto é, em sua origem, um verbo, mas que na frase em questão ela é um adjetivo, portanto, não há de se falar sobre haver uma oração subordinada adjetiva surgindo desta palavra. Se a palavra em questão é, nesta análise, tão somente um adjetivo, isso não faria com que as orações subordinadas adjetivas reduzidas deixassem de existir? Digo, na frase «o jovem que foi morto havia sido transferido ao hospital» há uma oração subordinada adjetiva desenvolvida; a sua versão reduzida seria justamente «o jovem morto [...]», mas, se não há verbo nesta aqui, então a nomenclatura «oração subordinada adjetiva reduzida de particípio» serve para que e designar o quê, exatamente? É uma oração composta por um adjetivo? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa