Glossário para entender o que os jovens escrevem nos aparelhos eletrónicos - Diversidades - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Glossário para entender o que os jovens escrevem nos aparelhos eletrónicos
Glossário para entender o que os jovens escrevem nos aparelhos eletrónicos
A linguagem da Internet no Brasil

« (...) A ideia do internetês é dar velocidade à escrita, deixando apenas as vogais extremamente necessárias, abolindo acentos, o til e alguns dígrafos, como ch, facilmente substituídos pelo x  (...) »

 

"V6 c ctz n sbm as 9da10!"

Se você não entendeu nada e a frase acima parece escrita em algum código secreto, junte-se ao clube! Dificilmente alguém com mais de 30 anos teria domínio sobre essa linguagem tão natural para nossos filhos adolescentes. Eu, pelo menos, me limitava a vc, blz e kkkk. Por isso, pedi ajuda aos (pré)universitários para elaborar o glossário que se segue. A ideia do internetês é dar velocidade à escrita, deixando apenas as vogais extremamente necessárias, abolindo acentos, o til e alguns dígrafos, como ch, facilmente substituídos pelo x. Vale tentar usar essas regrinhas para se tornar um autodidata nesse dialeto. Aqui vai um empurrãozinho para começar!

abç= abraço
ag ou agr = agora
axo= acho
bgd = obrigado/a
blz = beleza
bj, bju ou bjks = beijos
c = com
cm = como
cmg = comigo
ctz = certeza
eh = é
fla = fala
gnt = gente
hj = hoje
jg = jogo
kd = cadê, onde está
kkkk = gargalhada
n ou nn = não
neh = né, não é
9da10 = novidades
p = para ou por, dependendo do contexto
pq = porque, por que, porquê ou por quê (Uma maravilha não precisar escolher qual deles usar, não é mesmo?)
pv = privado
q = que
qlqr = qualquer
rs (que pode se repetir, como rsrsrsrs) = risos
s ou ss = sim
sla = sei lá
tb ou tbm = também
t+ = até mais
td = tudo
tp = tipo
v6 = vocês
vlw = valeu, obrigada

Agora você já pode traduzir a frase lá do alto e até decifrar segredos contidos nos inseparáveis companheiros digitais de seu adolescente. Brincadeirinha! Obviamente, bisbilhotar o celular dos filhos é desaconselhável. O ideal — já ouvi isso de mais de um psicólogo — é ter antes a autorização deles ou até mesmo vocês darem uma olhadinha juntos. Claro que há casos excepcionais. Não me atrevo a dar conselhos porque eu mesma já errei muito essa medida. Mas hoje, se fico preocupada com o bem-estar emocional de uma das minhas filhas, acredito que uma conversa franca e de coração aberto ajuda mais.

Fonte

Texto publicado no jornal brasileiro Extra no dia 20 de agosto de 2020.

Sobre o autor

Editora assistente do jornal brasileiro Extra e autora do blogue Resenhando – Diário de uma mãe de adolescente, na Editora Globo.