Modalidade apreciativa - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Modalidade apreciativa

No Dicionário Terminológico, no que respeita a modalidade, encontra-se a seguinte definição/explicação:

«Categoria gramatical que exprime a atitude do locutor face a um enunciado ou aos participantes do discurso. A modalidade permite expressar apreciações sobre o conteúdo de um enunciado (i) ou representar valores de probabilidade ou certeza (modalidade epistémica) (ii), ou de permissão ou obrigação (valor deôntico) (iii). A modalidade pode ser expressa de muitas formas diferentes: através da entoação, da variação no modo verbal, através de advérbios, de verbos modais (auxiliares como “dever”, poder”… ou principais com valor modal como “crer”, “pensar”, “obrigar”,…), etc.»

Por que razão já não aparece enunciado, explicitamente, o «valor apreciativo», conforme os restantes valores?

Aparece a indicação «expressar valores», aparecem exemplos, mas não a classificação. Será um lapso? Ou haverá outra razão que me escapa?

Obrigada.

Fátima Inácio Gomes Professora Braga, Portugal 6K

Não estando o Ciberdúvidas de forma nenhuma envolvido na elaboração do Dicionário Terminológico (DT), destinado a apoiar o ensino da gramática nos níveis básico e secundário em Portugal, não sei explicar a razão por que não se deixou explícito o uso do termo «modalidade apreciativa». Mas, tal como está formulada a definição de modalidade no DT (domínio B 6.4), é fácil depreender que «valor modal apreciativo» ou «modalidade apreciativa» são também expressões terminologicamente adequadas, à semelhança de «modalidade epistémica» e «valor deôntico», expressões que ocorrem de facto na referida definição. É o que fazem as seguintes gramáticas, que adotam o DT e empregam esse termo:

– M. Olga Azeredo et al. 2010. Gramática Prática do Português, Lisboa Editora, pág. 253;

– Cristina Serôdio et al., 2011. Nova Gramática Didática do Português, Santillana/Constância, pág. 232;

– Zacarias S. Nascimento e M.ª do Céu V. Lopes, 2011. Domínios – Gramática da Língua Portuguesa, Plátano Editora, pág. 311.

Carlos Rocha