Depende sempre da intenção do autor que, melhor do que ninguém, decide o sentido que quer dar ao vocábulo, a expressividade que lhe quer atribuir, com ou sem ironia, com ou sem jogos de palavras: os textos podem ser, de facto, «chatos», «enfadonhos» ou maçadores» (sentido figurado de maçudo), preferindo o autor, por este motivo, «aviar pastéis»; se a intenção é o jogo de palavras, aproveitando o contexto gastronómico, então, porventura, o autor poderá preferir usar massudos no sentido figurado que melhor traduz a condição do «texto [que] é metaforicamente visto como um pastel pesado e compacto», corpulento, sublinhando-se os «fatores externos na interpretação» do sintagma nominal em causa, nomeadamente o seu «valor predicativo», as «condições de interpretação», as «relações de escopo (ou alcance)» e as «dependências referenciais» (Peres, 2013).
Na condição de leitor, e partindo do princípio de que conheço ambos os vocábulos e o seu respetivo significado, confesso que me agrada a grafia de massudos, exatamente porque parece haver um propósito do autor ao jogar, ao entreter-se com o sentido figurado de massudos, gerindo habilmente o alcance da sua mensagem. Refira-se que, ainda que por motivos diferentes, ambas as grafias parecem estar corretas.
Bibliografia consultada:
Dicionário eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa (2009).
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2009).
Dicionário da Língua Portuguesa, Academia das Ciências de Lisboa.
Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (2004), Editora Positivo.
Peres, João Andrade (2013). "Semântica do Sintagma Nominal". In Raposo, Eduardo Buzaglo Paiva; Nascimento, Maria Fernanda Bacelar do; Mota, Maria Antónia Coelho da; Segura, Luísa; Mendes, Amália. Gramática do Português (Volume I, Capítulo 21, pp. 762-765). Fundação Calouste Gulbenkian.