A grafia de príncipe consorte - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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A grafia de príncipe consorte

Estive a rever o Acordo Ortográfico devido a uma dúvida de tradução e fiquei com a sensação de que «príncipe-consorte» deveria estar unido com um hífen, mas a verdade é que na imprensa portuguesa encontro a expressão sobretudo sem ele.

Podem esclarecer-me, por favor?

Muito obrigado!

Joaquim Fernández Tradutor Barcelona, Espanha 42

As associações de nome e adjetivo não são necessariamente escritas com hífen.  A hifenização destes casos não é imposta por uma regra ortográfica, mas, sim, pela tradição de registo dicionarístico1. Por outras palavras, uma sequência de nome+adjetivo terá hífen se for considerado um composto; se não, então não se hifeniza. Existe, portanto, uma tarefa classificatória cujos critérios formais e semânticos são anteriores às regras ortográficas.

No caso de «príncipe consorte», não há lugar a hífen, tal como não se usa este sinal em «príncipe regente», «príncipe real» ou «príncipe imperial». Deste uso, é possível inferir que se tem considerado que estas sequências de nome+adjetivo são associações livres (ou quase) que ainda não têm significado verdadeiramente autónomo – por muito subjetivo que seja este juízo. Acrescente-se que consorte é um adjetivo dos dois géneros, equivalente a sócio, parceiro, cônjuge

1 A Base XV do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, assim como a norma de 1945, refere compostos de nome+adjetivo, mas não deixa explícitos os critérios que permitem distinguir estes compostos das associações livres de nome+adjetivo. 

FontesDicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2002), dicionário de português da InfopédiaDicionário Priberam da Língua Portuguesadicionário Michaelis (em linha); dicionário de Caldas Aulete (em linha).

Carlos Rocha
Tema: Uso e norma Classe de Palavras: substantivo