A concordância verbal com expressões partitivas («metade de», «um terço de», etc.) - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
A concordância verbal com expressões partitivas
(«metade de», «um terço de», etc.)

Como devo escrever? «Metade dos inquiridos não concordou com a medida», ou «Metade dos inquiridos não concordaram com a medida»? «Um terço desses peritos não sabe do que fala» ou «Um terço desses peritos não sabem do que falam»? «Uma grande percentagem de portugueses fala inglês», ou «Uma grande percentagem de portugueses falam inglês»?

Muito grato.

Daniel Klemm Estudante Lisboa, Portugal 3K

Como se esclareceu já em várias respostas anteriores (cf. Textos Relacionados, ao lado), expressões como «metade de», «um terço de» ou «uma grande percentagem de» – chamadas expressões partitivas – a concordância pode ser feita no singular ou no plural – neste último caso, se a expressão que completar essas expressões de quantificação estiver no plural:

1. Metade/um terço/uma percentagem dos inquiridos não concorda com a medida.

2. Metade/um terço/uma percentagem dos inquiridos não concordaram com a medida.1

1 Há gramáticos que não consideram (e até contestam) a concordância com a expressão que é especificada e que se encontra no plural (p. ex., «dos inquiridos» em «metade dos inquiridos»), como acontece com José Neves Henriques nesta resposta. No entanto, são muitas as gramáticas que atualmente aceitam este tipo de concordância, feita com a expressão nominal mais próxima do verbo.

Carlos Rocha
Tema: Uso e norma Classe de Palavras: quantificador
Áreas Linguísticas: Semântica; Sintaxe