DÚVIDAS

Quiasmo e anástrofe, novamente
Peço desculpa pelo exemplo que vou dar (retirado de uma quadra escatológica tradicional que se podia antigamente encontrar rabiscada nas paredes de qualquer quarto de banho de café da cidade do Porto), mas, de momento, não me ocorre nenhum exemplo retirado de escritas literárias mais elevadas. Reza assim a tal quadra: «A cagar puxei um cigarro, A cagar o acendi, A cagar o fumei todo, A fumar caguei para ti.» Agora, a minha dúvida: como se chama a figura de estilo presente nos últimos dois versos da quadra, com a inversão dos verbos cagar e fumar: «a cagar fumei», «a fumar caguei»? Muito obrigado e, mais uma vez, o meu pedido de desculpas pelo exemplo escatológico que dou. Se bem me lembro, este era um recurso estilístico comum no Padre António Vieira, mas não dispunha à mão de nenhuma colectânea das suas obras.
Novamente o prefixo anti- e o hífen: antitouradas
Costumamos escrever "anti-touradas" para enfatizar que somos "anti". Será, ainda assim, considerado um erro? Apenas é correcto escrever "antitouradas" ou, neste caso, é aceitável "anti-touradas"? Devemos escrever "touradas", ou "antitouradas", no plural, ou será mais correcto utilizar o singular, no caso, "antitourada" ou "anti-tourada"? Antecipadamente gratos pela resposta.
Sobre o hífen no novo Acordo Ortográfico
Estive a ler a resposta à pergunta feita sob o título Acordo Ortográfico e os vocabulários portugueses. Teria muito a dizer sobre o conteúdo desta resposta, mas haverá certamente quem o faça por mim. Para não me alongar muito, vou referir apenas a eliminação do hífen, que o Acordo Ortográfico (AO) consagra. Como se diz naquela resposta, e bem, o hífen é um auxiliar de desambiguação. Concordo plenamente. Um dos exemplos ali referidos (braço-direito/«braço direito») mostra claramente como é importante deixar o hífen onde sempre esteve, consagrado pelo uso. Referirmo-nos ao braço direito como membro anatómico é bem diferente de nos referirmos ao braço-direito como membro principal de uma equipa de assessoria. O mesmo se passa com a saudação "bom-dia!" e a constatação de que "está um bom dia". Etc., etc. Estes modestos exemplos expõem apenas um dos aspectos que conferem ao AO a propriedade de se opor ao intuito que animou os seus defensores: simplificar a língua.
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