DÚVIDAS

Sobre o topónimo Aldeia Galega (Sintra)
Há dias, deparou-se-me uma dúvida que gostaria de ver esclarecida. Neste momento, creio que apenas esta vossa secção me poderá ajudar, porque já outras muitas vezes encontrei no Ciberdúvidas informações preciosas, que devo agradecer.  Ainda aluno, ouvi um professor dizer que o topónimo Aldeia Galega (Sintra) era enganador, porquanto não remetia para Galiza mas para Galécia, "terra dos Galos", isto é, França. A justificação apresentada era que aquela zona tinha sido povoada na Idade Média por franceses, como aconteceu noutras regiões de Portugal. Ora, há dias, ao consultar o Dicionário Houaiss, verifiquei que Galécia surge identificada com a Galiza. Agradeço uma indicação de V. Exas. para sair desta dúvida.
Classe de palavras: aristocrata e aristocrático
Antes de mais, parabéns pelo excelente trabalho nesta página. Venho colocar-vos uma dúvida quanto ao uso das palavras aristocrata e aristocrático. Julgava que aristocrático representava o adjectivo correspondente ao substantivo aristocrata. No entanto, o dicionário Houaiss parece indicar ambos como adjectivos, e nenhum como substantivo. Agradeço desde já os esclarecimentos que possam dar.
Lógica, dialética, gramática, retórica e oratória
Gostaria de saber o significado dos vocábulos lógica, dialéctica, gramática e retórica – e também de oratória. O que compreendiam estas áreas no período medieval, dentro do contexto das artes liberais? Qual seu uso moderno? Eles mantêm alguma relação com as mesmas áreas de hoje e também entre si? A gramática utiliza-se da lógica, retórica, dialéctica ou oratória em suas estruturas? Há alguma referência bibliográfica sobre a relação destas áreas com a gramática? Agradeço antecipadamente o auxílio.
Diferenciar uma oração relativa livre de uma subordinada interrogativa
Anteriormente enviei uma dúvida com o seguinte texto: «Gostaria de saber se há algum critério seguro e bem aceito na língua portuguesa para diferenciar uma oração relativa livre de uma subordinada interrogativa. Minha dúvida é motivada pelo fato de que, ao que parece, uma interrogativa subordina é possível ser introduzida por preposição: “perguntou de quem era o vestido”, o que já não parece possível com uma relativa livre:*"conhece de quem era o vestido”. No entanto, o que me parece é que o que permite tal distinção seria o próprio significado relacionado ao verbo da oração principal. No entanto, eu fico em dúvidas numa frase como esta: “Imagino de quem ela falou.” Não sei se ela pode ou não ser considerada gramatical. Um critério que eu, a partir de algumas poucas leituras sobre assunto, tenho estipulado é o seguinte: substituir o pronome relativo livre por algum demonstrativo acompanhando de seu pronome relativo, se resultar agramatical ou se o sentido diferir bastante, tal oração então seria interrogativa, caso contrário, seria uma oração relativa livre. Ex. “Imagino quem entrou na sala” – ?“Imagino aquele que entrou na sala”. Esta última, além de soar um pouco esquisita, muda bastante o sentido da frase. Logo, parecer-me-ia que estamos diante de uma construção cuja subordinada é uma interrogativa indireta. A partir desses argumentos – os quais coloco em dúvida - não me pareceria absurda uma frase como a que eu mencionei anteriormente: “imagino de quem ela falou”, uma vez que por este critério – o qual não sei se pode ser válido – tal oração seria uma subordinada interrogativa, a qual poderia ser introduzida por preposição. Como eu tenho acompanhando algumas respostas de Carlos Rocha a perguntas sobre o tema, gostaria, se possível, que ele comentasse sobre minhas indagações. No entanto, deixo livre para fazê-lo qualquer consultor que tenha interesse.» No entanto, acho pertinente apresentar exemplos da aplicação do critério acima proposto também nos casos em que há em jogo uma preposição na oração subordinada. A frase 5 não se encaixa nesses casos. Aqui os apresento: 1) «Imagino de quem ela falou» – «Imagino aquele de que ela falou» (O sentido muda, logo a primeira parece ser uma subordinada interrogativa.) 2) «Imagino do que gostas» – «Imagino aquilo de que gostas» (O sentido muda, logo a primeira parece ser uma subordinada interrogativa.) 3) *«Vi com quem você saiu ontem» – «Vi aquele com quem você saiu ontem» (O sentido permanece, logo a primeira subordinada, sendo uma relativa livre, não poderia estar preposicionada. Ter-se-ia então de transformá-la numa relativa com antecedente.) 4) *«Vi ontem de quem você gosta» – «Vi ontem aquele de que você gosta» (O sentido permanece, logo a relativa livre teria de ser transformada em relativa com antecedente. Exemplo igual ao anterior.) 5) «Eu conheço quem comprou os ingressos» – «Eu conheço aquele que comprou os ingressos» (O sentido permanece, logo, a primeira seria uma relativa livre.) Grato.
«Família tipográfica», «tipo de letra» e «fonte tipográfica»
A vossa pergunta/resposta intitulada «"Font" = tipo, carácter, cunho, símbolo» leva-me a apresentar as notas que se seguem, recolhidas de várias fontes oficiosas sobre a matéria e, simultaneamente, perguntar se a informação apresentada estará realmente correcta. Grato pela atenção. TIPO (DE LETRA) = Conjunto unificado de caracteres (alfabéticos, numerais e marcas de pontuação) cujos desenhos e traçados distintivos [TYPEFACE]) partilham as mesmas características, exibindo propriedades visuais semelhantes e consistentes. Ex.: Times New Roman FONTE = Variante de um TIPO (DE LETRA) cujos caracteres têm um determinado estilo (que pode compreender variantes serifadas ou não serifadas), corpo (tamanho) e forma (espessura, largura e inclinação). Ex.: Times New Roman Bold Italic Corpo 14 O termo FONTE é geralmente confundido com TIPO. Tradicionalmente, em tipografia, uma FONTE refere-se geralmente a um TIPO (ou Família Tipográfica) de um dado tamanho. Um TIPO é um conjunto de desenhos correspondentes aos caracteres específicos de cada linguagem. Compreende os caracteres alfabéticos, numerais, marcas de pontuação e outros ideogramas ou símbolos relativos à linguagem em questão desenhados segundo um conjunto de características ou estilo. A Família Tipográfica compreende as variações do desenho do TIPO em peso, amplitude, orientação ou estilo (p. ex.: Itálico, Negrito, ambos). Tradicionalmente, uma FONTE (do inglês font, ou fount), compreende o conjunto de características que definem a identidade relativas ao seu desenho, abraçando todas as variantes do TIPO e/ou da Família. Assim pode compreender uma série de variantes serifadas e não serifadas como o caso da Stone de Robert Slimbach, ou da Rotis de Otl Aicher. Actualmente, FONTE refere-se ao ficheiro digital onde estão definidos os desenhos dos TIPOS através de linguagens como Post Script, ou True Type (p. ex.) e ainda podem conter dados específicos como as métricas a utilizar (espaçamento e kerning*, caracteres compostos ou tabelas de substituição). Por isso um designer de tipos (type designer), responsável pelo desenvolvimento do desenho, pode não ser a mesma pessoa ou desempenhar o mesmo papel que um Font Developer responsável pela tradução das instruções do desenho para um ficheiro digital. * KERNING é o acto de determinar uma medida para aproximação ou afastamento de pares específicos de caracteres numa fonte. O mesmo que compensação. Espaçamento ou espacejamento [SPACING] é a quantidade de espaço em branco entre letras, palavras, ou linhas de um texto. O espaçamento entre letras é normalmente determinado pela largura dos caracteres de uma fonte e, em tipografia digital, também por seus pares de KERNING. O espaçamento entre palavras é normalmente determinado pelo uso de claros ou material branco na composição com tipos móveis e, na tipografia digital, pelo uso dos caracteres de espaço. Na composição com tipos móveis, o espaçamento mínimo entre linhas consecutivas de um texto é determinado pela altura dos tipos e pode ser modificado pelo uso de lâminas de material branco chamadas entrelinhas. Na tipografia digital, o espaçamento padrão entre linhas é predeterminado pelo arquivo de fonte, mas a entrelinha pode ser modificada em programas de manipulação de texto.
A presidenta e o conceito de modismo
Na resposta à pergunta 15437 (relativa à palavra presidenta), escreve-se o seguinte: «O facto de começar a haver dicionários que registam a palavra presidente alterando a terminação de -e em -a para diferenciar a forma do feminino apenas significa que esses dicionários resolveram registar um modismo, uma ocorrência sem suporte linguístico na morfologia actual.» Ora sucede que já dicionários editados em 1944 (o de Augusto Moreno) e em 1953 (o de Cândido de Figueiredo) registam a palavra presidenta, o que mostra que não está a começar nos nossos dias (já na segunda década do século XXI) a aceitação daquela palavra. Isso leva-me a perguntar: poderá ainda considerar-se um modismo uma palavra que já há 60/70 anos era recebida em dicionários? Antecipadamente agradeço os esclarecimentos que me forem prestados.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa