DÚVIDAS

Corretismo, corretitude, corretidão, corretude
No meio do ambiente acadêmico no curso de Ciência da Computação, deparo-me intermitentemente com o aportuguesamento da palavra inglesa correctitute para "corretude" e, pesquisado por todos os dicionários e por este fórum, percebo que não é, ao menos ainda, uma palavra oficial da língua portuguesa (nesta concepção). Defendo veementemente o uso de correção/correcção neste contexto, mas minhas preocupações são desdenhadas amiúde. Deparei-me, então, com outra palavra: "corretismo", que me soa um tanto confusa. Seria tal tradução a mais adequada de correctitude? Sei que esta é formada da fusão de correct e rectitude, o que nos levaria à formação da palavra "corretitude", fundindo, pelo mesmo princípio, correto + retitude ou corretidão, de correto + retidão; no entanto, nenhuma destas foi concebida. Deixando isto de lado, não pude deixar de notar uma certa semelhança de "corretismo" e "correctitude", essa, sim, registrada por alguns dicionários. Gostaria de opiniões mais bem fundamentadas a respeito destes três possíveis neologismos.  
Península [Ibérica] ou península?
A propósito de duas perguntas sobre as maiúsculas e minúsculas o mesmo consultor (Rui Ramos) dá duas respostas contraditórias sobre o P/p de Península/península Ibérica. Assim, numa primeira, diz o sr. Rui Ramos: « [em minúscula] 2 - Nomes de continentes, mares, rios, países, regiões, acidentes geográficos Antárctida, Ásia, rio Tejo, serra da Estrela, golfo da Guiné, península Ibérica, região de Trás-os-Montes, montes Hermínios, península Antárctica (...)». Dias depois responde o contrário: «Os árabes perderam toda a terra que tinham ocupado na Península» (subentendo-se «Ibérica» e, por isso, o "P" maiúsculo de «Península»). Pelo menos, esta é a regra de estilo consensual hoje na imprensa escrita, em Portugal.». Em que ficamos? Eu, por mim, ainda fiquei mais baralhado. Obrigado.
O novo Acordo Ortográfico e a variação regional
O novo Acordo Ortográfico recorre frequentemente à expressão «aconselhável ou não aconselhável» em Portugal para suportar a manutenção ou supressão de algumas consoantes. Gostaria de saber qual a posição "oficial" do AO no que diz respeito às variações regionais do português europeu na pronúncia das mesmas consoantes. Na ilha da Madeira, a pronúncia de consoantes que no continente são mudas faz parte do padrão culto. É o caso de sector e de recepção. Como proceder nestes casos? A mesma questão se coloca com algumas variações no Norte de Portugal. No Minho fui criado e educado a dizer "contato", "contatar" etc., tal como no Rio de Janeiro, mas diferentemente de Lisboa. E tenho também dúvidas quanto à acentuação da primeira pessoa do plural dos verbos em -ar, que no Norte de Portugal todo e no Brasil se pronuncia com a fechado ("cantamos"/"cantamos" e não "cantámos"/"cantámos") e indistinguível do presente, como, aliás, nos verbos em -er se faz em todo o lado. No território da República Portuguesa existe uma norma oficial? Ou, como julgo ser o caso (e no espírito do novo AO), permite-se a variação regional?
A expressão «à meia pálpebra»
Qual é o significado da expressão «à meia pálpebra»? Não me parece usual; em que contextos geralmente é utilizada? Imaginei que talvez se referisse a um estado de sonolência (ou a casos em que é possível haver movimento dos olhos, como em um sorriso ou oscitação), em um sentido mais literal, mas, nos poucos registros que encontrei na Internet, a expressão parece ser mais utilizada em uma acepção conotativa (que, aliás, desconheço) como em «passou os olhos à meia pálpebra no corredor». Seria possível dizer e escrever que alguém está «à meia pálpebra de sono»? Seria coerente dispensar o artigo feminino e escrever «a meia pálpebra»? Além disso, também a encontrei grafada com hífen; esta forma hifenizada tem razão de ser? Já agora, quero congratular a admirável equipe do Ciberdúvidas pelos excelsos serviços prestados à língua portuguesa e a seus falantes.
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