DÚVIDAS

O uso de meia [dúzia] = seis (no contexto de Portugal)
É muito comum no Brasil usarmos o termo «meia dúzia» com o sentido de «seis», principalmente em comunicações telefônicas e aéreas, para que em caso de algum ruído na comunicação, não se ouça três, no lugar de seis. Logo, «meia dúzia» facilita a compreensão de que falamos de 6, e não três. Pois bem, uma pessoa grosseira me corrigiu, quando eu fornecia meu telemóvel, e citei um dos dígitos como «meia dúzia», com o intuito de facilitar a compreensão. A pessoa respondeu que «meia era para pés». A pessoa compreendeu exatamente o que eu quis dizer, pois após longos anos de troca entre Brasil e Portugal, muitos conhecem muito bem nossas expressões. Eu não corrijo um americano, quando ele me diz que um artigo custa, por exemplo, 10K. Isso faz parte do dinamismo da comunicação, cada língua tem expressões ou gírias, que podem ser entendidas por outros, sem que isto cause constrangimento. A pergunta é se  posso usar «meia dúzia», no lugar de seis, sem estar incorrendo num erro gravíssimo, que me leve à "guilhotina" (ironia) ?
O uso de transgénero no plural
Estou escrevendo um conteúdo científico e os revisores corrigiram minha escrita de «pessoas transgênero» para «pessoas transgêneros». Para mim, a palavra transgênero nesse caso é invariável, pois se desmembrarmos a palavra em trans+gênero, obtemos o sentido de «troca de gênero». Ou seja, «pessoas (no plural) de gênero (no singular) trocado». O argumento dos revisores é que existe mais de um gênero, portanto o correto para eles seria pessoas transgêneros (tudo no plural). Acredito que se o termo transgênero for utilizado isoladamente, como um substantivo, ele possa variar em número (ex: «os transgêneros da nossa comunidade»), porém quando utilizado como adjetivo, deveria ser invariável (ex: as pessoas transgênero da nossa comunidade). Gostaria de saber se meu raciocínio está correto ou se estou equivocado. Obrigado desde já!
A oração subordinada na frase «não há nenhum [animal]
tão grande que se fie do homem» (Padre António Vieira)
Gostaria de saber qual a classificação certa para a oração subordinada seguinte: «Não há nenhum [animal] tão grande que se fie do homem.» (Padre António Vieira) Não pode a oração ser restritiva? O meu raciocínio é este: os animais grandes não se fiam do homem; os animais que são grandes não se fiam do homem; embora haja animais grandes, estes não se fiam do homem. O «que» não retoma o «animal grande»? O não se fiar é uma consequência da sua grandeza? A grandeza é uma característica/causa que, apesar de existir, impossibilita, tem como consequência o não se fiarem? Muito obrigada.
O uso de verdade e verdadeiro
Embora seja assaz usada e, por isso, porventura, considerada linguisticamente correta, a expressão «é verdade», ou «isso é verdade», não é errada? Uma vez que nos encontramos numa situação de caracterização – neste caso, que a situação é «verdadeira» –, não deveria ser usado o adjetivo «verdadeiro», em vez do substantivo «verdade»? Deste modo, não deveríamos dizer «isso é verdadeiro», ou «é verdadeiro que...»? Ou será que, neste caso específico, «verdade» adota valor adjetival? Muito obrigado.
Sobre o uso de outorga e outorgamento
Gostaria que me confirmassem a existência (ou não) do vocábulo "outorgação". Numa rápida pesquisa na Internet, vejo que o termo é frequentemente utilizado, mesmo por orgãos de comunicação de institutos e instituições públicas e oficiais (quer portuguesas, quer brasileiras). Todavia, ao pesquisar por este vocábulo nos dicionários online (Priberam, Dicionário Informal e mesmo no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia de Ciências de Lisboa) vejo que o termo não existe "oficialmente". Nestes dicionários e vocabulários, somente encontro a forma verbal outorgar e o adjectivo outorgável, mas nunca o substantivo "outorgação". Agradecia um esclarecimento sobre este caso.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa