DÚVIDAS

A etimologia de primeiro e evolução fonética
Reconhecendo a maior utilidade deste espaço de esclarecimento dedicado à língua portuguesa, gostaria de manifestar, desde já, o meu agradecimento pela atenção que possa merecer a questão que passo a colocar. Vi, recentemente, serem aplicados os fenómenos fonéticos seguintes: primarium < primariu — apócope do fonema "m"; primariu < primairu — metátese do grupo "ri" para "ir"; primairu < primeiro — assimilação do "a" para "e". Quanto à queda e à transposição de fonemas, encontram-se as mesmas de acordo com os ensinamentos adquiridos. Já quanto à "assimilação" não nos parece correcta a sua aplicação, porquanto tal definição implica que a transformação de um fonema o seja noutro igual ou semelhante a um que lhe seja contíguo e dentro da mesma palavra, tal como ocorre, por exemplo, em ipsum < isso, onde o "p" se assemelhou ao "s". Solicito, pois, o favor de me esclarecerem sobre a alteração ocorrida em "a" para "e", no caso supra apresentado. Reiterando agradecimentos e formulando os melhores votos para a prossecução de tão meritório trabalho, apresento os melhores cumprimentos.
Pletora
Não percebo por que motivo não se grafa o e com acento [na palavra pletora], mas que se grafa, grafa. Antes do Acordo Ortográfico de 1945, escrevia-se indevidamente com c (plectora), quando o étimo (plēthōra) o não reconhecia. Podeis explicar-me por que esta proparoxítona não é acentuada? Por tradição ou por outra insondável razão? Mais uma vez, parabéns pelo excelente serviço público que prestam.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa