DÚVIDAS

O acento tónico de Débora e Deborah
Gostaria de saber se o nome próprio Deborah, que sei que é de origem hebraica e que assume na língua portuguesa a forma Débora, é acentuado. A forma portuguesa, como é cediço, é uma palavra proparoxítona e, portanto, recebe acento agudo; entretanto, a forma estrangeira, adotada por muitos pais ao registrarem seus filhos, também segue a mesma regra, ou não? Agradecerei muito se puderem me ajudar.
Regulação, regulamentação
vs. "arregulação", "arregulamentação"
Em francês existem as palavras régulation e réglementation. Mas não vejo tradução exata para as duas em português... Por exemplo, tendo em conta a falta de regulação e a falta de regulamentação, aceita-se que se use os termos  «a-regulação» e «a-regulamentação», respetivamente? No primeiro caso, pretende-se dizer que o fluxo, o caudal, não foi regulado. No segundo, que não se dotou o sistema de regras, de leis. Será que a língua portuguesa não é tão subtil como a francesa? Esses termos  deviam ficarentre aspas? Seria obrigatória uma nota em rodapé explicativa desses termos? (...) N. E. – Excecionalmente, não se indica o nome do consulente, que, embora tenha enviado dados de identificação, pediu confidencialidade sobre os mesmos aos editores do Ciberdúvidas.
Ainda a vírgula antes da conjunção subordinativa consecutiva que
Como fica a vírgula em orações consecutivas com que depois de tão, tanto e tal? Li a instrução de que se deve usá-la sempre, mas há muitos exemplos de boas fontes que não o fazem. Que critério seguir? Dispensar a vírgula nos períodos de fácil entendimento? Exemplos sem vírgula: (Machado de Assis Dom Casmurro) «A vida é tão bela que a mesma ideia da morte precisa de vir primeiro a ela... O que cismei foi tão escuro e confuso que não me deixou tomar pé... Continuei, a tal ponto que o menor gesto me afligia...» Napoleão Mendes de Almeida, Gramática Metódica: «Portou-se tão bem que o elogiaram.» Dicionário Houaiss: «Tanto repetiu a leitura que conseguiu decorá-la. Bateu tanto que quase matou.»
A expressão «por si sós»
Na Gramática da Língua Portuguesa de Maria Helena Mira Mateus et alii aparecem as seguintes construções: 1. «Por serem expressões referencialmente autónomas, os pronomes pessoais parecem formar por si sós o SD» (p. 351). 2. «Tradicionalmente designam-se como "pronomes' este tipo de palavras, dado que são expressões referenciais, constituíndo por si sós aquilo que temos vindo a designar SD.» (p. 353) Tenho dúvidas em ambos os casos da correcção da expressão «por si sós». Será antes «por si só» sendo só uma palavra invariável? Não será o uso mais adverbial do que adjectival e daí a invariabilidade de só? Obrigada.
O deve e o haver
Quando se juntam as palavras calmamente e ordeiramente, faz-se o trânsito do sufixo -mente apenas para a segunda palavra, dizendo «calma e ordeiramente». É correcto fazer o mesmo em verbos? Estou a ver na televisão neste momento, relativo às dívidas do Estado português, escrito «deve e haver». O correcto não deveria ser «dever e haver»? A letra r não é propriamente um sufixo, faz parte da palavra, não me parece que possa haver trânsito. Muito obrigado pela atenção.
«De molde a» e «de modo a»
Gostaria de confirmar se o uso distinto que faço das locuções «de modo a» e «de molde a» se justifica, ou se as duas são afinal permutáveis. Escreverei assim «A proposta apresentada é de molde a permitir um consenso» (ou seja, «pela sua natureza ou características, a proposta é suscetível de permitir um consenso»). Escreverei, em contrapartida, «Apresentei uma proposta, de modo a permitir um consenso» (ou seja, «para que cheguemos a um consenso, apresentei uma proposta», sem que haja nexo causal – ou gramatical – direto entre a natureza da proposta e o possível consenso). Desde já agradeço a vossa resposta.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa