DÚVIDAS

Fobia como elemento de composição
No jornal Público, de 28/05/2026, dei com "maisfobia", uma palavra (?) que se lê no título de um artigo de opinião: "Gente a mais? A preguiça intelectual e moral da 'maisfobia'". No texto, reagindo aos críticos da sigla LGBTQIA+, a autora define o termo por ela cunhado: «Maisfobia n.f. - hostilidade ou desconforto perante a multiplicação, complexificação ou autodeterminação de categorias de identidade e sociais para além das formas consideradas normativas; tendência para considerar excessivo, confuso, ilegítimo e/ou perigoso aquilo que excede o binário ou o sistema de classificação dominante, reduzindo a diversidade a uma versão simplificada e autocentrada do real.» "Maisfobia" é uma palavra correta? Não estaremos a exagerar na formação de palavras formadas com fobia , por exemplo, no discurso polémico?
O apelido Vago
Tenho como apelido Vago da parte paterna com ascendentes em Vila Nova de Famalicão, principalmente nas freguesias de Santiago de Antas e Calendário. Após várias pesquisas nada encontrei de muito certo. Na minha genealogia encontrei esse apelido por volta de 1800. Nos meus antepassados está quase como Ferreira Vago que tinham como profissão alquilador. Alguém já se deparou com esse apelido ou alcunha?
Ambiguidade de mais: «e mais jogou bola na vida»
 Li a seguinte manchete: «Neymar mostra rua no litoral de SP onde deu o 1° beijo e mais jogou bola na vida.» Algo soa estranho na frase. Creio que isso se dê por conta da ausência de um segundo onde antes de «mais jogou bola na vida». Gostaria de saber se a construção - como vai no jornal - está correta ou, caso não esteja, se há forma mais clara e agradável de escrevê-la. Obrigado.
Quem interrogativo e referência
Introduzo minhas reflexões justificando que costumo viajar em minhas análises e possivelmente esta pode ser uma reflexão que está me levando a decolagem... No campo da linguística textual, o estudo da coesão referencial é atravessado pelo conceito de referente e correferente. Em exemplos didáticos, a compreensão desses conceitos torna-se transparente, pois são apresentados por meio de textos denotativos, isto é, aqueles de significação unilateral, endofórica. No entanto, diante de um gênero como tirinha, charge, que trabalha com construções endo e exofóricas e com ferramentas sintáticas, lexicais para arquitetar a crítica da qual se propõe, deparei-me refletindo sobre a possibilidade de algumas classes gramaticais sofrerem correspondências classificatórias em decorrência da relação entre texto, cotexto e contexto. Para exemplificar, há uma tirinha de André Dahmer, Malvados, em que encontramos o seguinte diálogo: (Primeiro quadrinho) «A fome está assombrando os pobres do país.» (Segundo quadrinho) «Quem assombra os ricos?» (Terceiro quadrinho) «As palmeiras da piscina.» Parece-me que o pronome quem está sendo usado propositalmente para a construção do humor, estabelecendo referência tanto com o primeiro quadrinho quanto com o segundo. Apesar de gramaticalmente esse pronome ser classificado como pronome indefinido interrogativo, logo, sem referente antecedente, pergunto se não seria possível estabelecer uma relação de referente («as palmeiras») e correferente («quem») entre eles, já que, em minha ingênua e flutuante viagem interpretativa, há uma intenção de prenuncio e posteriormente de quebra de expectativa por parte do autor, apresentando, pois, o pronome interrogativo também com relativo. Obrigada.
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