Sobre a expressão «está calor»
Devo primeiro dizer que eu não sou lusófono, não tenho formação em gramática ou linguística, e meu conhecimento do português é de autodidacta.
Há uma expressão do português que me causa muita curiosidade: «está calor.»
Não consigo encontrar a lógica gramatical desta oração, quiçá por interferência da estrutura do castelhano na minha cabeça. Aqui, no Ciberdúvidas, encontrei uma consulta/resposta que não conseguiu satisfazer completamente a minha curiosidade e é por isso que pergunto agora.
Naquela resposta, F. V. P. da Fonseca explicava que «calor» aqui é o sujeito da oração. É possível, de acordo com a gramática portuguesa, usar o verbo estar sem complemento que dê significado a oração (que coisa é que o calor está)? Se «calor» é sujeito, porque nesta oração não se usa a ordem normal da sintaxe portuguesa: sujeito-verbo («calor está»)? Se esta forma é possível, pode-se dizer também «está escuridão»?
Somente vejo uma forma na qual, para mim, a oração teria lógica gramatical: se fosse a construção perifrástica «está a fazer calor», com «calor» como complemento directo e o sujeito impessoal e o verbo fazer elididos.
Agradeço de antemão a vossa paciência e a vossa resposta.
Muito mais, 1
Dei-lhe «muito mais coisas» ou dei-lhe «muitas mais coisas»?
A grafia de açoriano
Antes de mais, gostaria de os felicitar pelo óptimo trabalho. Recorro com imensa frequência a esta página quando tenho dúvidas relativamente a alguma palavra ou construção de frases e tenho sempre sido esclarecida com as respostas anteriormente dadas. No entanto neste caso não encontrei nenhuma que me respondesse à questão.
O dicionário da Língua Portuguesa indica «açoriano» como a forma correcta e não “açoreano”, e percebi a sua razão de ser devido ao glossário presente nesta página. Mas como existe nos Açores uma farmácia antiga chamada «Farmácia Açoreana» e existe também a conhecida «Açoreana Seguros», questionei-me se antigamente «açoriano» se escreveria com um «e». Gostaria de saber se será possível «açoriano» (bem como «cabo-verdiano», no exemplo dado no glossário) ter sido alguma vez escrito com um «e», ou se foi apenas um erro ortográfico.
Desde já muito obrigada e continuação de bom trabalho.
A família de palavras de guarda-chuva
Poderiam esclarecer-me, se fazem o favor, se a palavra guarda-chuva ( processo de formação – composição morfossintática), poderá ser considerada da mesma família de chuva.
Muito obrigada pela atenção.
A fórmula de despedida «até mais»
Qual a origem da expressão «até mais» (despedida)?
Esta expressão representa um registo linguistico mais formal ou informal?
Obrigado.
A origem dos sobrenomes Jesus e Leite
Gostaria de saber a origem dos sobrenomes Jesus e Leite.
Grata.
Ciber
Julgo saber que a origem de «ciber» é o vocábulo grego (antigo) que significa "governador" (ou "piloto"). Até agora via-o ligado à ideia de auto-regulação; exemplo: cibernética.
Ultimamente, vejo-o em: «ciberespaço», «cibernauta», e até em «ciberdúvidas»; será correcto?
Subordinada causal ou consecutiva?
Como classificar a segunda oração da frase: «O avô chegava a mentir, de tanto medo que tinha dela.», causal ou consecutiva?
Se, por um lado, a oração é marcada pelo conector tanto... que, típico das consecutivas, e pelo facto de exprimir o grau de intensidade («de tanto medo»), por outro lado, a relação de sentido entre as duas orações é de consequência - causa, sendo o medo que "o avô ... tinha dela" a causa para o facto de ele lhe mentir.
Assim, tendo em conta o facto de a oração subordinada possuir formalmente os marcadores indicativos das subordinadas consecutivas, mas evidenciar um nexo semântico causal, como classificá-la corretamente: causal ou consecutiva?
«Ano Novo» e «Ano/ano novo»
Tenho visto nos cartões de Natal as pessoas escreverem: «feliz Natal e um próspero Ano-novo». Ano-novo é escrito com letra maiúscula, ou minúscula?
Armazéns
O plural de armazém tem, ou não tem, acento agudo?
