DÚVIDAS

Réplica discordante a «jamais morrerão»
Sou escritor, verto livros de árabe para português, e às vezes me deparo com situações, como, por exemplo: «eles supõem erroneamente que jamais morrerão!» A minha questão é como posso discordar? Será que digo: «Sim! Por Deus que vós morrereis»? Ou: «Pois não! Por Deus que vós morrereis»? E quando posso usar: «pois não!»; «pois sim!»; «claro!»; «sim!»? Agradeço o que o Ciberdúvidas tem feito para a melhoria do nosso português.
O verbo plasmar
No passado domingo [12/01/2025]  no programa Princípio da Incerteza com a dra. Alexandra Leitão, dr. Miguel Macedo e dr. Pacheco Pereira, a primeira intervenção coube à dra. Alexandra Leitão de que cito parte da seguinte passagem: «E aquilo que motivou, pelo menos a mim, e muita gente a ir à rua foi uma afirmação de defesa de valores, que são os valores e os princípios em que assentam os regimes democráticos e os regimes dos estados de direito e, em especial, estamos em Portugal, o regime que está PLASMADO na constituição em 76, que saiu do 25 de abril, o que é em concreto liberdade, igualdade, não discriminação, dignidade da pessoa humana, tudo isso...» Ora tenho-me deparado recorrentemente com a utilização «está plasmado» na constituição, na lei n.º..., etc. Embora perceba o sentido, agradeço o Vosso esclarecimento, já que o significado que aparece no dicionário da Porto Editora não tem nada a ver com o que, como digo, aparece frequentemente enunciado.
Possessivo com nomes coordenados: «o meu tempo e dinheiro»
Creio ter aprendido numa aula de Português que, caso se faça uma enumeração após um determinante possessivo, este deverá surgir no plural. Assim, será mais adequado escrever «os meus tempo e dinheiro» do que «o meu tempo e o meu dinheiro». Isto confirma-se? Isto parece colocar um problema caso a enumeração tenha substantivos de géneros diferentes, provocando discordância em género. Será alguma das formas seguintes possível? «Os meus disponibilidade e interesse», ou «as minhas disponibilidade e interesse»? Obrigado. P.S. Aproveito para perguntar se as vírgulas estão bem aplicadas na primeira frase.
«Desmoronar-se» e «estender-se»
Nas frases «Desmorona-se o sistema» e «Para lá de nós, estende-se o mistério da vida», qual a função sintática dos elementos «o sistema» e «o mistério da vida»? A dúvida coloca-se por se tratarem de verbos acompanhados do pronome se que, em muitos casos, configuram sujeitos nulos indeterminados – «alguém desmorona o sistema» (como em «vende-se casas» = alguém as vende). Na segunda frase, a expressão «o mistério da vida», quando colocada na passiva, passa a sujeito («O mistério da vida estende-se»), o que me coloca em dúvida em relação à sua função na ativa.
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