DÚVIDAS

A grafia de Ataulfo
Referente aos antropônimos germânicos terminados em -ulfo, há alguma prescrição para que sejam registrados sem acento? Ou será que deveríamos utilizar? Me intriga, pois já me ocorreu de notar casos de uso e desuso do acento, muitas vezes no mesmo nome. Lembro-me imediatamente de Ataúlfo, o segundo rei visigótico conhecido, cujo nome é relativamente bem documentado com acento, embora haja oscilação (vide verbete Decadência e Queda do Império Romano no Ocidente, na Infopédia, que oscila entre ambos no mesmo texto). Há, claro, os casos de adaptação com -o-, como Rodolfo, mas é uma incógnita para mim acerca dos muitos -ulfos conhecidos, sobretudo dos fins da Antiguidade e Idade Média. A título de comparação, alguns destes germânicos citados em grego são acentuados (cf. Αριούφος; Ἰνδούλφος; Αταούλφος). Agradeço de antemão.
O topónimo Riachos
O nome da minha terra, Riachos, parece ter origem no nome ou alcunha de um homem, «O Riacho», que surge já num documento de 1502. A partir de 1560 aparecem os primeiros registos referentes às famílias de «Afonso Fernandes Riacho» e «Simão Fernandes Riacho». A partir de 1622 aparece a referência aos «Casais do Riacho» e a partir daí o lugar passa a ser designado por Casais dos Riachos ou simplesmente Riachos (em 1656, um casamento na ermida de Santo António «sita nos Casais dos Riachos»). Riachos, como localidade, teve origem na aglutinação de vários casais, cujos nomes ainda existem, referindo ruas ou zonas da terra, como Casal das Lobas, Casais Novos, Casal da Raposa, etc. As pessoas em Riachos sempre disseram «os Riachos» e «nos Riachos», e os mais velhos diziam mesmo «o Riacho» e «no Riacho». Nos nossos dias ainda há quem diga, quando se desloca de uma rua longe do centro da terra, para o largo, que vai «ao Riacho», ou seja, que vai ao largo da terra, ao centro. Mas hoje há quem defenda que o mais correto é dizer-se que se vive «em Riachos», e não «nos Riachos», que se é «de Riachos» e não «dos Riachos». Eu própria autocorrigi-me por volta dos meus 18 anos, pensando que dizia mal, tal como a minha família, que era «dos Riachos». A Câmara Municipal resolveu a questão há anos atrás, normalizando tudo, ficando assim: «Freguesia de Riachos», «Freguesia de Meia Via», «Freguesia de Pintainhos», «Freguesia de Lapas», «de Brogueira», «de Mata», «de Ribeira Ruiva», etc. Há pessoas que continuam a usar o artigo, outras a contrariar isso, e a polémica está instalada, com pessoas a chamar ignorantes no Facebook aos que continuam a referir-se à terra tal como aprenderam no seio das suas famílias. Agradeço por isso o vosso esclarecimento, pedindo desculpa pelo texto longo, mas que julguei útil.
O topónimo «cataratas do Niágara»
Gostaria de saber se existe alguma regra estabelecida e qual a fonte relativamente ao uso da maiúscula em "Cataratas do Niágara". No site Infopédia, existe um artigo intitulado “cataratas do Niagara” com a palavra cataratas em minúsculas, no entanto a maior parte dos outros artigos na web têm Cataratas com maiúscula inicial. Adicionalmente, parece haver os termos «queda de água» e queda-d'água para descrever as cataratas. Qual é a diferença entre estes termos e qual deveria ser o usado para descrever as cataratas do Niágara? Muito obrigada pela sua resposta.
O verbo ver com complemento oblíquo
No excerto: «O último elemento do grupo, o narrador, não era tão sonhador como os outros e, por isso, não via forma nenhuma naquela nuvem. Para não ficar mal perante os outros, ele afirma que vê um hipopótamo. Perante tal afirmação, toda a gente ficou espantada.» As classes e subclasses das palavras via e para são, respetivamente, verbo principal transitivo direto e indireto (seleciona complemento direto e complemento indireto) e conjunção subordinativa final? Obrigada.
«Meter o Rossio pela Betesga» numa obra de A. Garrett
Pretendia saber o sentido da expressão inserida na obra Falar Verdade a Mentir de Almeida Garrett: «José Félix – Ora adeus! O senhor seu pai com efeito... ele ainda é parente, bem se vê, há-de ter sua costela espanhola... O seu projecto é outra espanholada também... Querer impedir que um rapaz do tom, da moda pregue a sua peta!... isso é mais do que formar castelos em Espanha, é querer meter o Rossio pela Betesga.» Gostaria muito que a professora Lúcia Vaz Pedro explicasse o que significa a expressão.
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