Passiva sintética em locuções verbais com preposição intermédia
É possível a transposição da voz passiva analítica para sintética em locuções verbais com preposição intermediária?
Isso pode ser feito em locuções verbais sem preposição intermedária, contanto que o verbo + se não forme um outro, em que essa partícula seja integrante dele; consequentemente, é possível rescreever «Os deveres devem ser feitos» como «Os deveres devem fazer-se», e então como «Os deveres devem-se fazer», mas não «Eles devem ser amados» como «Eles devem amar-se», uma vez que o sentido se altera.
Logo, minha dúvida é se existe essa possibilidade para locuções verbais como «ter de ser feito» e «gostar de ser bonificado», exemplificadas em «Os deveres têm de ser feitos até amanhã» e «Os alunos gostam de ser bonificados», mesmo que sem merecimento; ou seja, é possível reescrever a primeira oração como «Os deveres têm de se fazer até amanhã» (ou «Os deveres têm de se fazerem até amanhã»)? e a segunda como «Os alunos gostam de se bonificar, mesmo que sem merecimento» (ou «Os alunos gostam de se bonificarem, mesmo que sem merecimento»)?
Agradeço a atenção.
A conjunção copulativa e e o advérbio assim
Na frase «Em certo modo viveu o que cantou e [assim foi] o único épico que foi lírico ao sê-lo .», como devo classificar a oração iniciada pela conjunção coordenativa conclusiva «assim», uma vez que esta é antecedida da conjunção coordenativa copulativa «e»?
Estilo e voz passiva
Tenho notado um aumento no uso de construções passivas ou impessoais em comunicações formais, especialmente em contextos administrativos ou institucionais. Exemplos:
– «Relativamente ao assunto XXX, questiona-se o motivo de serem comunicados zero incidentes», por uma Câmara Municipal;
ou
– «Mais se refere que do email do senhor condómino não se entende que ponto é que pretende ver esclarecido», por uma empresa gestora de condomínios.
Este tipo de formulação parece-me uma coisa recente que não existia há alguns anos. As minhas dúvidas são:
1) Existe alguma razão gramatical, estilística ou até institucional para esta preferência por estruturas passivas ou impessoais?
2) Trata-se de uma tendência recente na língua portuguesa (de Portugal)?
3) Há vantagens específicas em termos de tom, neutralidade ou responsabilidade ao usar este tipo de construção?
Agradeço desde já qualquer esclarecimento!
O numeral mil: «ganhei mil reais»
Qual frase está correta ou ambas estão?
«Ganhei como prêmio um cheque de um mil reais.»
«Ganhei como prêmio um cheque de mil reais.»
A formação de irresolubilidade
Gostaria de saber se a palavra irresolubilidade existe. Aqui, enquanto «qualidade do que é irresolúvel».
Não encontro em dicionários, com exceção do dicionário online Priberam.
Na Internet, encontro entradas referentes a documentos de natureza académica.
Gostaria de ter a certeza que posso usar o termo.
Muito obrigado.
Dizer e «ponto de vista»
Sobre o uso do verbo/constituinte destacado, queria esclarecer se a frases está correta:
«Os alunos DIZEM o seu ponto de vista DA VIAGEM.»
Obrigado.
Mesmo a introduzir oração de gerúndio
Na frase «Mesmo chovendo, viajamos», a palavra mesmo é conjunção acidental?
Ou qual a classe gramatical da palavra mesmo?
Obrigado
Análise de «Soas-me na alma distante» (Fernando Pessoa)
Ontem estive a reler o belo poema de Fernando Pessoa “Sino da minha aldeia” e deparei-me com uma frase que me deixou dúvidas quanto à sua análise sintática, pelo que peço a vossa ajuda.
A frase em questão é: «Soas-me na alma distante» (referindo-se o poeta ao sino)
Ora, parece-me que o constituinte «distante» predica o sujeito («o sino», sujeito subentendido), sendo por isso predicativo do sujeito (embora tenha dúvidas sobre o verbo soar: será copulativo?
Por exemplo, em construções como «soou-me mal», parece que mal qualifica a forma como soou, e não o próprio sujeito. mas a verdade é que no caso em apreço o constituinte distante é um adjetivo…)
Quanto ao constituinte «na alma» questiono se será complemento oblíquo ou modificador do verbo.
E quanto a «me», seria complemento indireto ou apenas um dativo de interesse (equivalente a «para mim»)? O verso em causa é precedido de outro verso que importaria ter em conta: «És para mim como um sonho.» Aqui penso que «como um sonho» desempenha também a função sintática de predicativo do sujeito. E este «para mim» parece afigurar-se como dativo de opinião ou ético/de interesse, como em «Ele era-nos muito querido», embora o Ciberdúvidas, neste caso, admita que numa versão simplificada seria complemento indireto. Ora, na sequência, «Soas-me distante» equivaleria a «Para mim, soas distante», o que levante essa hipótese do dativo.
O mesmo poema termina com duas frases que me parecem ter também uma estrutura predicativa (neste caso transitivo-predicativa), do tipo verbo + complemento direto + predicativo do complemento direto: «Sinto mais longe o passado / Sinto a saudade mais perto.»
Agradeço desde já a vossa ajuda na clarificação destas funções sintáticas.
Muito obrigado e mais uma vez parabéns ao Ciberdúvidas pelo excelente trabalho.
A sintaxe de inédito e pioneiro
Nas frases:
«Este feito foi inédito em Portugal.»
«Elvira Fortunato foi pioneira na investigação europeia sobre eletrónica transparente»
um manual indica que «em Portugal» desempenha a função de modificador e «na investigação....», a função de complemento do adjetivo.
Apesar de ter validado a informação junto dos alunos, continuei no entanto a questionar-me sobre as razões desta classificação, uma vez que o argumento da mobilidade que justificaria ser modificador tanto pode ser aplicável a um como a outro.
Agradecia a vossa ajuda na melhor forma de abordar a questão.
O termo exotista
Existe a palavra "exotista"? E qual o seu significado?
Obrigada.
