DÚVIDAS

Orações relativas não canónicas: «aquilo que é...»
Tenho notado que há um hábito muito comum e cada vez mais generalizado de utilização da expressões «aquilo que é/daquilo que é/ aquilo que são/daquilo que são» principalmente em contexto de comentário televisivo. Exemplos: «[Aquilo que é] a origem do conflito…..», «A origem d[aquilo que é] a vida….», «Não sabemos [aquilo que são] as intenções do Presidente….», «Estamos a par [daquilo que é] o impacto desta guerra», «Estamos conscientes d[aquilo que é] a devastação provocada….». Poderíamos até complicar mais: «[Aquilo que é] a origem d[aquilo que é] este conflito». Todos estes «aquilo que é» são perfeitamente suprimíveis das respetivas frases: «A origem da vida…», «Não sabemos as intenções do Presidente», «Estamos a par do impacto desta guerra», «Estamos conscientes da devastação provocada». Penso que o recurso a esta irritante expressão se deve ao facto de constituir uma espécie de muleta de linguagem, no sentido de dar mais tempo ao orador para pensar no que vai dizer a seguir, o que se compreende (similarmente ao uso de outras muletas mais óbvias como “â” ou “portanto”), muleta essa perfeitamente dispensável. De qualquer modo gostaria de saber se semanticamente a expressão acrescenta algo (como uma espécie de focalização ou clivagem no sentido de destacar um dos elementos da frase) e gostaria também de saber como classificar essas orações do ponto de vista sintático. Para ilustrar, vejamos o caso concreto da seguinte frase simples: «A origem da vida é um mistério.» Transformando-a na seguinte frase complexa: «Aquilo que é a origem da vida é um mistério.» Ficamos com uma oração substantiva relativa sem antecedente (com a função de sujeito) seguida da respetiva subordinante? Ou, contrariamente, devemos assumir que continuamos perante uma frase simples que foi “complexificada” por um elemento discursivo redundante típico da oralidade? Por outro lado, parece-me que por vezes estas orações artificiais são substantivas completivas, noutros casos substantivas relativas, ou até ponho a hipótese de serem adjetivas relativas, mas sempre perfeitamente dispensáveis. Gostaria de ter a vossa preciosa ajuda para esta questão, aproveitando para desejar um bom início de terceiro período letivo a toda a equipa do Ciberdúvidas, a quem agradeço a paciência.
Ainda rir vs. rir-se
Muito obrigada pelas suas respostas anteriores. Podiam explicar, por favor, qual é a diferença entre os verbos rir e rir-se? Como é correto dizer? «Ele riu da piada» ou «Ele riu-se da piada»? (Verbo com o objeto do riso). «Naquele dia ele riu muito» ou «Naquele dia ele riu-se muito»? (Verbo que designa o processo como tal). Ou todas as quatro variantes são aceitáveis? Qual, então, é a diferença entre elas (se há)? Desde já agradeço.
Oração gerundiva: «Pedro ouviu José falando»
Primeiramente, ouvi de alguns professores de gramática que oração subordinada substantiva, quando reduzida, só pode vir com verbo no infinitivo. Entretanto, me deparei com algumas frases que me fizeram crer que isso não procede. Segue um exemplo: «Pedro ouviu José falando sobre o assunto.» Minha dúvida é a seguinte: a segunda oração do período composto citado acima, «José falando sobre o assunto», é uma oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de gerúndio, pois, no meu ver, o verbo «ouviu» pede complemento verbo direto; ou tem outra função sintática?
Negação, coordenação e as conjunções e e ou
Nestas três frases aqui, o mais indicado é utilizar "e"? Ou utilizar "ou"? E por quais motivos isso? 1) «Nenhum dos dois (pai e filho) quer arcar com as despesas!» («Pai e filho», ou «pai ou filho»?) 2) «Não convidei seu irmão e, muito menos, seu primo!» («E, muito menos» ou «ou, muito menos»?) «Ir à praia e ir à cachoeira»: qual será a melhor opção? «Ir à praia e ir à cachoeira» ou «Ir à praia ou ir à cachoeira»? Gramaticalmente correto e esteticamente bonito, qual vocês mesmos indicam para usar? E por que será? Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa